Preço da gasolina deve subir mais de 8% em fevereiro (VÍDEO)

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Preço da gasolina deve subir mais de 8% em fevereiro (VÍDEO)

Impostos para ajudar nas contas do governo resultariam em elevação de 6,5% no preço do diesel, diz consultoria

Gustavo Santos Ferreira

21 de janeiro de 2015 | 10h45

Passam a valer em 1º de fevereiro as alíquotas do PIS/Cofins e da Cide sobre o preço dos combustíveis de R$ 0,22 para cada litro de gasolina; e de R$ 0,15, no caso do diesel, de acordo com o governo. E a Petrobrás, não mais disposta a subsidiar o consumo do motorista e preparada para novos reajustes de suas tarifas quando julgar necessário, já mandou avisar: quem vai pagar a conta é o consumidor.

Nos cálculos do economista Étore Sanchez, da LCA Consultores, o imposto sobre a gasolina fará o gasto do motorista subir, em média, 8,4%. O preço do diesel avançará nos postos 6,5%, diz.

Mas vamos à pratica. Na última semana, gastou-se R$ 2,62 no Brasil, em média, por litro de gasolina – aponta levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Para encher o tanque de um carro popular com capacidade de 55 litros, sob esses preços, foram gastos R$ 145. No próximo mês, portanto, caso haja o repasse exato dos R$ 0,22 a mais por litro, o custo saltará para R$ 156 – elevação pouco abaixo dos 8%.

Vejamos então o caso hipotético de um motoboy autônomo, ao qual daremos o nome de, sei lá, Carlinhos. O tanque da moto de Carlinhos tem capacidade de 15 litros. Ele gasta R$ 39 para abastecer totalmente sua motocicleta, todos os dias – sim, o Carlinhos deste exemplo trabalha demais. Nos dias úteis de um mês, sob os preços demonstrados acima, gastou R$ 786. A partir de fevereiro, esse custo saltará para R$ 852 por mês – exatamente os 8,4% a mais de gastos calculados por Étore. E, como Carlinhos é autônomo, a diferença de R$ 66 vai sair de sua carteira.

Ainda de acordo com a ANP, nos postos pesquisados onde o preço da gasolina esteve mais alto, eram pagos R$ 3,19 por litro. Os consumidores desses estabelecimentos, que gastavam R$ 175 para abastecer seus carros populares, terão de arcar com R$ 187 – alta de 6,5%.

Coitado do Carlinhos se tiver de passar por esses postos.

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Com esses aumentos de custos ao consumidor, entre outras medidas anunciadas em conjunto, o governo espera arrecadar R$ 20 bilhões para melhorar a saúde de seu caixa – e agradar o mercado. Mas a alta da gasolina e do diesel contribuirão para puxar a inflação em 12 meses para além do teto da meta em 2015 – e desagradar o consumidor.

Nas contas de Adriana Molinari, da Tendências Consultoria, o impacto dos impostos sobre a gasolina, em fevereiro, será de 0,27 ponto porcentual sobre o IPCA. Ao longo do ano, acredita ela, o nível de preços terá subido em ritmo anual de 6,8%. Só neste primeiro bimestre, a inflação acumulada por alcançar os 2%.

Não só quem dirige paga a fatura quando sobe o preço dos combustíveis. De imediato, sobe o custo dos alimentos. E o efeito contágio, embora mais lento, é ainda maior no caso do reajuste do diesel.

Toda a cadeia produtiva que dependente de frete de caminhões será impactada. De forma inercial, acontece uma elevação de custos em cascata. Empresários cujos produtos dependem de frete de caminhão elevarão seus gastos. E eles são repassados, gradativamente, aos consumidores. Assim, comidas industrializadas, bebidas e bens de consumo variados que cruzam as estradas do Brasil tendem a ter seus preços remarcados ao longo dos próximos meses. E para cima, é claro. 

 

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