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Seca em São Paulo faz preço na feira subir

Em setembro, Índice Ceagesp registrou segunda alta seguida, de 2,67%; no ano, elevação está em 2,22%; e em 12 meses, em 3,22%

Gustavo Santos Ferreira

01 de outubro de 2014 | 16h30

Enquanto a chuva não cai, os preços na feira sobem. A estiagem nos campos da região sudeste, principalmente em São Paulo, de acordo com o economista Flávio Godas, da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), já começa a agredir os bolsos de feirantes e consumidores.

O Índice Ceagesp de setembro registrou alta média de preços de 2,67%. É a segunda variação positiva seguida, após quatro quedas. No ano, a elevação está em 2,22%; e em 12 meses, em 3,22%.

O índice é composto por uma cesta de 150 produtos, entre frutas, legumes, verduras e peixes. Mede a variação dos preços praticados no atacado, majoritariamente aos feirantes. A variação desses custos é repassada ao consumidor final.

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A criançada que não come frutas e não gosta de sucos pode começar a sorrir: aí estão grandes responsáveis pela alta de preços na feira, com elevação média de 5,52% em setembro em relação ao mês anterior.

Entre as maiores altas, o preço da atemoia subiu 69%; do figo, 59%; o maracujá ficou 35% mais caro; e o limão, 21% – pode ser que o papai e a mamãe prefiram, portanto, servir sorvetes e refrigerantes.

As frutas dependem muito das águas das chuvas, explica Godas. Ou seja, se não chove, a produção cai. E com menos produtos para serem vendidos para uma mesma quantidade de consumidores, os preços acabam avançando.

Já os meninos e meninas que viram a cara para tudo que é verde, bem, o azar é de vocês: legumes e verduras estão ficando mais baratos. São produtos que sofrem menos com a estiagem, por serem irrigados artificialmente. A diminuição das geadas neste ano também favorece uma safra mais farta – mais produtos nas bancas, preços em queda.

Legumes e verduras, desse modo, ficaram mais baratos em setembro na comparação com agosto: 2,67% e 6,66%, respectivamente. “O problema é se começar a faltar água de verdade”, diz Godas. Mas, mesmo que na UTI, os reservatórios da região sudeste ainda respiram. Até quando, só São Pedro é capaz de responder.

Maiores detalhes do Índice Ceagesp devem ser divulgados nesta quinta-feira, 2. E você confere aqui, no De olho nos preços, o que deve estar mais em conta ou mais caro nas feiras livres daqui em diante. Nos vemos! =)

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