‘Super-Dilma contra a inflação’ precisa de óculos novos

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‘Super-Dilma contra a inflação’ precisa de óculos novos

O perfil da presidente no Facebook usou texto deste blog como propaganda, mas parece não ter lido tudo o que foi escrito aqui

Gustavo Santos Ferreira

14 de janeiro de 2015 | 09h00

O perfil no Facebook da excelentíssima senhora presidente da República, Dilma Rousseff, reproduziu o seguinte texto deste blog:

>>>> Dilma (apesar de tudo) tem a inflação média mais baixa desde o Plano Real

Abaixo, seguem o texto e a foto da publicação:

SUPER DILMA

Mesmo com uma das maiores crises econômicas mundiais rolando, a presidenta Dilma e sua equipe econômica conseguem o mais importante para o povo: manter o emprego, a renda e ainda garantir a menor inflação média de um presidente em primeiro mandato desde o plano Real. Dilma teve 6,41%, pertinho de Lula com 6,65% e bem abaixo dos 7,39% de FHC.

 

super-dilma

De duas, uma: ou a presidente (na verdade, quem trabalha para ela nas redes sociais) precisa de óculos ou vê apenas o que lhe convêm. Sim, todos esses dados foram citados no artigo, como dito, em “comparação fria”. Mas o “apesar de tudo” do título não é em vão. Usar esses dados como se quando vamos ao supermercado nosso poder de compra não está corroído beira a desonestidade.

>>>> Preços abusivos na praia: como se defender? (VÍDEO)

Repetiremos agora alguns pontos escritos no blog para o caso de Super-Dilma querer exercitar a leitura:

Durante um semestre inteiro (entre junho e novembro) a alta média dos preços no Brasil ficou acima dos 6,50% – a mesma dureza foi persistente em quatro anos, vamos combinar, e com alguns preços congelados. E foi só apenas em dezembro que o IPCA convergiu para abaixo da cordinha. Cordinha, essa, tomada como meta por este governo, cujo objetivo formal, não podemos esquecer, é fazer a inflação dançar em ritmo bem mais baixo, na altura dos 4,5%.

A incapacidade sucessiva de entregar a inflação dentro do centro da meta estabelecida pelo próprio governo é um veneno. Como dito no texto publicado aqui, centro é centro e meta é meta. E o regime de metas de inflação serve para conduzir expectativas. O teto desta meta, para ser usado apenas em casos extremos, de choque de ofertas. Cumprir a meta, no centro, traz credibilidade à condução da economia de um país. O produtor e o comerciante olham para os índices passados, entregues de acordo com o prometido, e pensam: “Ora, mas que beleza, vou remarcar meus preços de acordo com a nova meta estabelecida, afinal, este governo cumpre aquilo que promete”.

Quando isso não ocorre, o marcador de preços, com sua expectativa abalada, joga os preços para cima, colaborando, num efeito cascata, para uma série de outras remarcações de preços acima do nível desejado. É, em partes, o que ocorre no Brasil neste últimos anos de inflação média abaixo, sim, da entregue por FHC e Lula em seus primeiros mandatos – mas prestes a estourar o teto da meta estabelecida.

Outro ponto importante dito aqui a ser repisado:

Todas as conquistas sociais de anos podem se perder num modelo pouco sustentável (a atual gestão de política monetária do Brasil).

No perfil de Economia do Estadão foi feita a pergunta aos internautas: a presidente merece palmas? As respostas foram das mais lamentáveis ou ofensivas, não valem repetição. Mas, a julgar pela leitura seletiva da “Super-Dilma” e de seus ajudantes nas redes sociais, eles merecem pelo menos um óculos novo.

Doeu no bolso?

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