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Com aumento do compulsório, País sai do coma induzido

Paulo Silvestre

24 de fevereiro de 2010 | 20h32

O BC acaba de elevar o compulsório dos bancos de 13% para 15%. O que isso significa? O depósito compulsório é uma das formas que o Banco Central tem para controlar a quantidade de dinheiro na economia. Ou seja, com o aumento de hoje o BC sinaliza com um aperto monetário. O compulsório obriga os bancos a depositar parte dos recursos captados dos clientes, via depósitos à vista, a prazo ou poupança, numa conta no BC. Ao aumentar a taxa do compulsório, o BC mostra que pretende reter mais dinheiro nessa conta, sobrando menos recursos, portanto, para os bancos emprestarem aos seus clientes. Alguns analistas de mercado dizem que, ao elevar o compulsório, o BC abre espaço para uma alta da taxa de juros na ponta final, para o consumidor, já que os bancos terão pouco recurso e serão mais seletivos para emprestar.

O BC pode mexer no compulsório conforme enxerga a situação econômica: se quer tirar dinheiro de circulação ou aumentar. No caso dessa elevação de hoje, o BC volta com a taxa de compulsório ao nível pré-crise. É como se o paciente (Brasil) estivesse saindo do coma induzido. Os ‘medicamentos’ devem ser retirados aos poucos e é o que tem feito o BC. Até pela boa recuperação econômica do País, o próximo passo será aumentar a taxa de juros básica, a Selic, no segundo semestre. Em última instância, o BC está visando, sim, o controle da inflação. Entre as medidas de política monetária, o compulsório não é a mais forte, mas ajuda a aumentar o poder de fogo do BC em relação ao combate à inflação.

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