Entenda os ratings das agências de classificação de risco
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Entenda os ratings das agências de classificação de risco

Economia & Negócios

24 de março de 2014 | 19h26

(Atualizado em 22/5/2017)

Moody's, Standard & Poor’s e Fitch são as agências de classificação de risco mais conhecidas (Montagem/Fotos: Reuters)

Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch são as agências de classificação de risco mais conhecidas (Montagem/Fotos: Reuters)

O que é rating?

As agências de classificação de risco trabalham com a concessão de ratings – notas de crédito ou classificações – a empresas, governos ou qualquer entidade que emita títulos para serem negociados no mercado. Os ratings representam a avaliação da agência sobre a capacidade do emissor desses títulos de honrar seus compromissos com os investidores. Em outras palavras, qual o risco de o emissor da dívida dar um calote.

Essas classificações são divididas em dois grandes grupos de notas: grau especulativo e grau de investimento (o chamado selo de bom pagador). Dentro de cada grupo, cada nota especifica a condição do país ou da empresa em relação à sua capacidade de saldar dívidas.  

Como as agências definem o rating?

Para classificar os títulos, as agências passam um pente-fino nas condições do emissor. No caso de países, por exemplo, contas públicas, cenário macroeconômico, perspectivas de investimento, política e relações do governo com o Congresso são alguns dos pontos avaliados.

Por envolver uma opinião, a credibilidade da nota de crédito depende da credibilidade da própria agência. Moody’s, Standard & Poor’s (S&P) e Fitch são as agências norte-americanas mais respeitadas do mercado.

Na crise financeira de 2008, no entanto, quando diversos grandes bancos e instituições financeiras dos Estados Unidos quebraram, a credibilidade das agências passou a ser questionada, já que a derrocada do sistema financeiro incluiu instituições financeiras até então avaliadas como sólidas e confiáveis.

O que é perspectiva de rating?

As classificações e perspectivas para as notas de crédito são reavaliadas periodicamente pelas agências. A classificação representa a nota em si, e pode subir (upgrade) ou cair (downgrade) dependendo da revisão. Enquanto isso, a perspectiva da nota aponta para o futuro, indicando se aquela nota de crédito tende a se manter estável, cair (negativa) ou subir (positiva).

No Brasil, após muitos anos pagando com juros altos os calotes dados na década de 1980, o País recebeu, em 2008, o grau de investimento da S&P, ou seja, seus papéis passaram a ser recomendados como seguros em termos de qualidade de crédito. A Fitch e a Moody’s seguiram a decisão e concederam o upgrade no rating brasileiro em 2008 e 2009, respectivamente.

Em 2015, com a deterioração das contas públicas, o Brasil perdeu o selo de bom pagador, ou seja, deixou de ter grau de investimento e volto ao grau especulativo. A primeira a rebaixar o País foi a Standard & Poor’s, em setembro. Em dezembro, a Fitch também colocou o rating do Brasil na banda do grau especulativo.

Em 2016, a Standard & Poor’s liderou novamente uma onda de rebaixamento da nota de crédito do País. Em fevereiro, a agência revisou o rating de BB+ para BB, com perspectiva negativa – o que indica possibilidade de novos rebaixamentos.  No mesmo mês, a Moody’s acompanhou as demais agências e cortou o grau de investimento do Brasil. Em maio, a Fitch, que já havia colocado o País em grau especulativo, voltou a cortar a nota.

O que está acontecendo agora?

A turbulência política gerada pela delação de executivos do grupo JBS, incluindo uma denúncia de corrupção contra o próprio presidente Michel Temer, causaram grande temor no mercado, principalmente quanto ao andamento das reformas trabalhista e da Previdência no Congresso.

As agências de classificação de risco são unânimes em considerar que o ajuste fiscal já avançou, especialmente com a promulgação no fim de 2016 da Emenda à Constituição que estabelece um teto de gastos públicos por 20 anos.

No entanto, a economia ainda não tem bases suficientes para uma retomada sólida. Além disso, uma possível saída de Michel Temer da Presidência pode trazer instabilidade e atrasar ainda mais a recuperação.

Quais são as consequência para o país que perde o selo de bom pagador?

As empresas que dependem de crédito vão ser obrigadas a pagar juros maiores. Inclusive, as companhias que emitem títulos também podem ter seus ratings rebaixados. As pessoas comuns também serão afetadas, pois o preço do crédito (os juros) vai subir. Os investidores vão procurar oportunidades mais seguras dentro ou fora do país. Assim, a cotação do dólar tende a subir – o que pode levar a um circulo vicioso, que tem potencial para alimentar a já alta inflação. Investimentos e empregos podem ser cortados para as empresas se ajustarem.

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