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O que garante o valor da moeda no Brasil?

Paulo Silvestre

19 Novembro 2010 | 17h22

O leitor Jair escreveu. ‘Tenho uma dúvida e gostaria de esclarecer com você: é sobre o lastro do real, ou seja, o que garante o valor da moeda no Brasil?’

É uma ótima pergunta para um post, Jair.  O valor da moeda espelha o poder de compra do consumidor brasileiro. Quem ganha, por exemplo, R$ 2 mil tem determinado poder de compra. Mas o que é o tal ‘poder de compra’?! É a cesta de bens e serviços que cada pessoa consegue adquirir com aquilo que ganha. Sempre lembrando que inflação é algo muito pessoal, a minha cesta de bens e serviços é diferente da sua e por aí vai. Para alguns, a inflação não afeta tanto, para outros, mais. Mesmo num cenário de inflação baixa, uns perdem e outros ganham porque uma cesta de bens é sempre muito ampla. Numa economia estável do ponto de vista de preço, o poder aquisitivo permanece inalterado dentro do território nacional. Por isso é importante ter controle da inflação. A política monetária deve manter a estabilidade da moeda nacional; o BC é o guardião.

Mas, claro, a moeda é sempre bem aceita quando o consumidor ou os agentes econômicos acreditam nela. Essa confiança, na sociedade moderna, segundo os especialistas, está relacionada às quantidades disponíveis; não podem ser excessivas em comparação à quantidade de bens e produtos oferecidos por essa sociedade, caso contrário os preços sobem e destroem o valor dessa moeda. Ao perceber que os preços dos bens e serviços estão estáveis e que o governo mantém com rigor essas políticas, a moeda costuma ser sempre bem aceita.

E aí entra a taxa de câmbio também. Atualmente, o Brasil apresenta uma situação favorável em termos de fundamentos econômicos: o PIB este ano deve crescer 7,5%, a relação dívida/PIB está na faixa de 40%; o déficit em torno de 3% (em vários países europeus o déficit passa de 10%); risco-país baixo… Somado a esse cenário favorável temos a taxa de juros e o mercado financeiro de modo geral bastante atrativo para o estrangeiro, que despeja, diariamente, muitos dólares por aqui. Com isso, quanto mais o real se valoriza, mais empresas compram equipamentos e insumos fora que, ao chegarem ao Brasil, aumentam a competitividade e ajudam a combater a inflação. Começa o ciclo de novo.