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O ‘swap cambial reverso’ ficou pop

Paulo Silvestre

22 de setembro de 2010 | 17h10

Pode apostar que nas rodas de conversa de final de semana a Selic vira assunto. A expressão ‘swap cambial reverso’ ainda não é tão pop quanto a Selic, mas falta pouco. Nas últimas semanas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, trouxe à tona o termo e em toda entrevista agora lá vai o… swap cambial reverso. Será ele a solução para o câmbio valorizado?

Para explicar o termo, eu entrevistei o professor Silvio Secanechia Paixão, da FIPECAFI/USP. O que ele me disse é que o Banco Central é o executor da política econômica do governo, tanto monetária como cambial. Ou seja,  do mesmo jeito que o BC ajusta a Selic,  ele também busca ajustar as expectativas à taxa de câmbio.

Nesse caso, usando também como ferramenta o swap cambial reverso, que nada mais é do que o BC se comprometer hoje a comprar uma determinada  quantia de dólares a uma taxa fixa de câmbio lá na frente (no mercado futuro- leia mais aqui). O swap cambial reverso, portanto, é um contrato de troca, em que, hoje, o BC ganha a variação do dólar (à espera que o dólar suba) e os bancos (que compram o contrato) recebem a remuneração da Selic. Aliás, o termo reverso vem daí, já que antigamente funcionava de forma inversa e o BC oferecia ao mercado títulos que pagavam a variação do dólar.

Veja a entrevista abaixo:

O que é o swap cambial reverso?

É um contrato entre o Banco Central e uma instituição financeira (banco, corretora) que ocorre no mercado futuro da BM&FBovespa, onde o BC é comprador de dólar a uma determinada taxa pré-estabelecida

A palavra swap significa troca. Então é como se fosse feita uma troca de rentabilidades?

Sim, é isso. O BC troca a variação do dólar hoje até o final do swap (do contrato) por uma taxa fixa de dólar lá na frente. Como principal comprador de dólar, o BC pode decidir, por exemplo: estou comprando dólar a R$ 1,80 para daqui a 6 meses, quando o dólar agora está a R$ 1,70. Então ele estabeleceu que vai comprar dólar a R$ 1,80 lá na frente.

O BC vai ganhar essa variação do dólar?

Vai ganhar a variação pelo período do swap (do contrato) e em troca ele oferece para a instituição financeira (que comprou o contrato) uma taxa de juros pré-estabelecida.

E por que o  swap cambial reverso pode ajudar a conter a valorização do real?

Porque a oferta desse contrato no mercado pelo BC é o mesmo que comprar dólares no mercado futuro. Com isso, a moeda norte-americana tende a subir, ou parar de cair,  quando o BC faz o leilão, já que o BC indica que lá na frente o dólar deve estar valendo mais do que vale hoje, a R$ 1,80, por exemplo. Nesse caso, provavelmente, outros investidores poderão acompanhar a movimentação do BC e se tornarão compradores de dólares e não vendedores. Consequentemente, com maior demanda pelo dólar, já que a tendência dele nesse exemplo seria de alta, a cotação sobe.

Então, tem um efeito psicológico, vamos dizer assim, quando ele diz que vai usar o swap cambial reverso? Mexe com a expectativa do mercado?

Sim, ele prepara o mercado para determinada expectativa na qual ele está apostando.

Pelo que diz o ministro Guido Mantega, esse vai ser o principal canal para conter a valorização do real.

Vai ser cada vez mais uma operação normal de política cambial do BC.

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