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O vocabulário da crise

Paulo Silvestre

19 de maio de 2010 | 18h11

Nem sempre é fácil entender esse mundo de informações sobre a crise. A cada dia, uma informação nova, um avanço ou um retrocesso para a crise global, e novas mexidas no mercado. O fato é que, acompanhar tantas decisões, ora do Fundo Monetário Internacional ora  da União Europeia, sempre com empréstimos bilionários para tentar salvar os países, é tarefa hercúlea.  Sobre a crise, separei alguns termos que saíram nos últimos dias para facilitar a leitura. Vamos acompanhar outros termos indecifráveis sobre a crise? Se tiver sugestões, deixe seu recado!

‘Como era de se esperar, os investidores fogem dos ativos de risco, depois que a chanceler Angela Merkel decidiu proibir as operações de venda a descoberto com as dez principais ações de bancos do país e os swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês) de bônus soberanos da zona do euro.’  (Leia reportagem)

Vendas a descoberto ocorre quando um investidor realiza uma operação de venda de algum título ou ação sem tê-lo em mãos. É exatamente isso: é como se você vendesse um carro, sem ter o carro. Ou mais do que isso, sem ter a certeza de que irá conseguir comprá-lo para realizar a venda. No mercado de ações brasileiro, é prática comum as operações de venda a descoberto com ações.

Os tais CDS equivalem a títulos com característica mista de renda variável e renda fixa. Quem compra esses títulos aposta na probabilidade de quebra ou na possibilidade de empresas e bancos  – ou até mesmo um país – não honrar com seus compromissos, como pagamento de dívidas.  Quando aumenta a possibilidade (ou a desconfiança) de a empresa, ou país, ou banco, não honrar o pagamento, a negociação com esses títulos dispara.

Aqui no Brasil também é possível fazer operação semelhante aos CDS com swap, que significa troca, e é uma operação que permite transações como essa, também de venda a descoberto. Mas aqui, ‘os CDS’, são muito menos utilizados.  Quando os investidores compram CDS apostam na piora da saúde financeira da empresa ou do país. E querem ganhar com a disparada do preço dos títulos. Quando vendem os CDS, apostam na melhora, ou seja, acreditam que a empresa/país vai honrar com o compromisso assumido. Nesse caso, então, o papel passa a valer menos, por isso eles vendem.


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