A diversidade é campeã: o que a Copa do Mundo e empresas lucrativas ensinam sobre inclusão

A diversidade é campeã: o que a Copa do Mundo e empresas lucrativas ensinam sobre inclusão

Amcham Brasil

23 de julho de 2018 | 09h56

A diversidade é campeã. Se você ainda não acredita nessa afirmação, é bom dar uma olhada na foto da bicampeã da Copa do Mundo da FIFA: a equipe é majoritariamente composta por imigrantes e filhos de imigrantes, a maioria deles de países africanos. Umtiti nasceu em Camarões; Pogba tem a mãe guinense e pai congolês e o destaque Revelação da Copa, Mbappé, tem pai camaronês e mãe argelina. “A diversidade é importante para o crescimento de qualquer construção coletiva”, lembra  Salomão Lima, fundador do GAMES. Não é à toa que esse tem sido um tema recorrente nas empresas: o crescimento de fóruns empresariais voltados ao assunto ou a criação de áreas internas para tocar a pauta mostram essa preocupação.

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Para Liliane Rocha, Fundadora e CEO da Gestão Kairós consultoria de Sustentabilidade e Diversidade, o maior acesso a dados, informações e história dos grupos minorizados ajudou a fomentar a discussão dentro e fora do mundo corporativo. “É muito mais fácil hoje que as pessoas saibam que mulheres são somente 13% dos cargos executivos nas 500 maiores empresas brasileiras, e negros 4,7% e pessoas com deficiência, 0,6%. Ou, que apesar de estudos afirmarem que ao menos 10% da população é homossexual, ou seja, no mínimo 20 milhões de brasileiros, ainda há uma lacuna na atuação das empresas em relação à orientação sexual e identidade de gênero”, lembra a especialista.

Além dessa percepção, Rocha aponta ainda os diversos estudos que mostram a vantagem competitiva para quem trabalha a diversidade. “Eu sempre menciono uma pesquisa da McKinsey realizada em 12 países com mais de 1000 empresas, que mostram que empresas com mais diversidade racial e de gênero em seus quadros funcionais são mais lucrativas”, cita.

Para Ricardo Sales, pesquisador da USP e sócio da Mais Diversidade Consultoria, a discussão não se trata de um movimento passageiro. “Importante é não ignorar a potência deste assunto ou achar que se trata de modismo. O que estamos vendo em relação à diversidade é muito parecido com o movimento da sustentabilidade. Quando este tema surgiu no Brasil, também se falava que era uma conversa passageira ou sem relação com os negócios. Hoje é impensável uma empresa grande não ter uma área ou pessoa dedicada a sustentabilidade”, associa.

 

Diversidade e sustentabilidade: o novo mundo dos negócios

Lima identifica que a diversidade é muito mais incorporada dentro da área de Recursos Humanos, pois as organizações ainda tem muito a visão de pensar em seus profissionais e na construção de uma marca empregadora.

“Quando a empresa tem uma missão social clara, um propósito e entende sua construção na sociedade para além dos negócios, os temas se conectam, com a visão de gerar desenvolvimento sustentável. Não são todas as empresas que trazem dentro da sustentabilidade a questão da diversidade porque se pensa no pilar ambiental e muito pouco em impacto social”, opina.

A diversidade e inclusão, sejam através de políticas internas ou mesmo voltadas a programas externos a companhia, são estratégias que desenvolvem o pilar social da sustentabilidade. Dar mais oportunidades a pessoas marginalizadas transforma a vida delas e tem poder multiplicador na sociedade. “Tanto a sustentabilidade quanto a diversidade nos levam ao novo entendimento do que é o negócio. Antigamente, especialistas conceituados da administração e também os executivos das empresas, atuavam segundo o conceito ‘businness as usual’ – ou seja, o negócio como o usual, que seria aquele meramente voltado para a obtenção do lucro. No entanto, temos especialistas como John Elkington nos trazendo o entendimento de que as empresas devem não somente obter lucro, mas também preservar o ambiente e ser inclusivas. Neste sentido, a sustentabilidade traz força a temática de diversidade, uma vez que comprova a inclusão como um valor para as empresas que querem ser sustentáveis e perenes”, lembra Rocha.

Diversidade e inclusão de pessoas diferentes é produtivo para negócios.

Empresas mais diversas são mais lucrativas e inovadoras, garantem especialistas. Crédito: Rawpixel, Unsplash

O desenvolvimento de políticas que integram a diversidade e inclusão social, inclusive, já ganhou Prêmio ECO de Sustentabilidade da Amcham. Um deles é o caso do Citibank, vencedor em 2015 com um case voltado a contratação de pessoas com deficiência intelectual. Outro é o Itaú, vencedor de 2017, com o Programa Itaú Mulher Empreendedora, que criou um programa de capacitação voltado para mulheres empreendedoras.

Outro exemplo de empresa que trabalha olhando de forma simultânea para os dois tópicos é a TOTVS. Lima conta que a organização trabalha junto ao instituto mantido por ela e que desenvolve trabalhos de oportunidade social, com capacitação profissional voltada para jovens e pessoas com deficiência. “Um case interessante é a TOTVS, porque conecta seu papel social inclusão dentro de seu espaço de trabalho e preocupação interna para que essas pessoas se sintam num lugar seguro e adequado para se desenvolverem. e como sendo uma área”, relata.

 

Prêmio ECO recebe cases até 31/08

A 36ª edição do Prêmio ECO Amcham & Estadão está com inscrições abertas e o foco deste ano é Inclusão e Diversidade. “Queremos conhecer o que as empresas estão fazendo no tema inclusão e diversidade. O Prêmio ECO não é só sobre ecoeficiência. Ele também reconhece projetos dos vários subtemas da Sustentabilidade”, Daniela Aiach, diretora de eventos e responsável pela premiação. As inscrições para a edição 2018 podem ser feitas no site do Prêmio ECO e vão até 31/08.

Atualização (30/08): As inscrições para o Prêmio ECO foram prorrogadas! Agora, os projetos podem ser enviados até o dia 30/09. Saiba mais acessando o site.

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