Agenda 2030 e o setor privado: como incluir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na estratégia do negócio

Agenda 2030 e o setor privado: como incluir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na estratégia do negócio

Amcham Brasil

31 Agosto 2018 | 11h55

No dia 25 de setembro deste ano, a adoção dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) completará três anos. O documento, referência internacional para empresas, governos e pessoas, lista 17 principais objetivos para o desenvolvimento sustentável do planeta para serem alcançados até 2030. Isso envolve a esfera ambiental, social e econômica dos países e foi assinada por 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015. Passado esse tempo, como essas propostas têm avançado?

 

Principais desafios

Para Haroldo Machado Filho, Assessor Sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, um dos principais desafios é transmitir que os ODS não são uma agenda da ONU, e sim uma agenda universal, para todos os países. Quando participou da abertura da Virada Sustentável em São Paulo, no dia 23/08, ele ressaltou ainda que as metas são um norte e que devem ser adaptadas de acordo com a realidade de cada país.

“Universalidade não significa uniformidade. Temos que perceber quais são as circunstâncias daquele local, suas necessidades e dificuldades, e adaptar as metas, essa é uma agenda adaptável. Não há um só caminho para o desenvolvimento sustentável”, lembra.

O setor público, que também é um ator importante dentro da jornada da sustentabilidade, tem desafios específicos para enfrentar. Alexandre Schneider, Secretário Municipal de Educação, pontou sobre a necessidade de colocar os ODS dentro do planejamento de governo. Outra preocupação é relacionada ao comportamento dos governos, que ele considera que são pouco permeáveis para trabalhar com a sociedade civil, agindo de uma maneira muito vertical.

“As grandes dificuldades são de um lado culturais, de entender que estamos [governo] de passagem, avançar em cima da burocracia, ter um governo mais aberto a sociedade e por fim certamente pensar em um planejamento que coloque os ODS como um norte a todas as nossas políticas”, resume.

Quanto a ação privada, Denise Hills, Presidente da Rede Brasileira do Pacto Global e superintendente de sustentabilidade do Itaú-Unibanco, lembra que a agenda toca as pessoas individualmente, mas que pouco se pensa em ações coletivas efetivas.

“Coletivamente, a gente promove um mundo que a gente não acredita. Não pensamos no nosso potencial de influência e impacto. Cada produto e processo industrial tem um potencial de impacto e os ODS podem avaliar se esse impacto é positivo ou não. Temos que pensar nesses objetivos como uma oportunidade. Bem ou mal, vamos ter que gerar esse novo mundo”, explica.

Para Marcelo Arantes, VP Comunicação Marketing e Desenvolvimento Sustentável da Braskem, uma questão fundamental também é a divergência de interesses entre partes do setor privado. “O que é bom para um setor, às vezes, não é bom para outro. Os negócios têm que ir além do seu setor, em um pensamento mais plural”, explica.

 

O que empresas estão fazendo para cumprir acordos

Apesar do aniversário desse marco, uma pesquisa recente da KPMG apontou que 60% das maiores empresas do mundo ainda não reconhecem os ODS em seus relatórios. Além disso, 75% das empresas que falam sobre os ODS discutem apenas os impactos positivos de suas ações, e não os negativos. Apenas uma em cada 10 estabeleceram metas de desempenho empresarial específicas e mensuráveis em torno das metas. Esses dados alarmam, pensando que o envolvimento do setor privado na agenda é primordial para que ela consiga se concretizar.

Na Braskem, os executivos reescreveram as políticas de desenvolvimento sustentável totalmente baseada nos ODS, com metas claras para cada área. São dez grandes objetivos, com metas definidas até 2020. No site da organização, as metas são esclarecidas, assim como as ações que estão sendo tomadas para cada meta. Além disso, há um acompanhamento delas através de indicadores. Arantes garante que pelo menos nove que são endereçados diariamente.

“Alguns dos frutos vamos alcançar ao longo do tempo: redução de 21% de emissão de gases de efeito estufa, redução de 73% de emissão de efluentes, queda de 11% no consumo de energia. Temos também uma parceria com o Akatu e já capacitamos 100 mil jovens sobre consumo consciente”, pontua.

Outra iniciativa foi a criação da plataforma Bluevision, uma plataforma global de conteúdo lançada durante o Fórum Mundial da Água deste ano. As editorias tratam sobre assuntos de inovação, uso inteligente de recursos naturais e desenvolvimento humano. A plataforma trabalha também com diversas linguagens, com conteúdos em audiovisual, infográficos, vídeos e testes. A Braskem foi vencedora do Prêmio ECO em 2016.

 

Prêmio ECO 2018

A 36ª edição do Prêmio ECO Amcham & Estadão está com inscrições abertas até o dia 30/09. A iniciativa da Amcham, em parceria com o Estadão, reconhece e premia os melhores cases de sustentabilidade empresarial. Para saber mais, acesse o site.