Apenas 25% das empresas de impacto lideradas por mulheres conseguiram aportes

Apenas 25% das empresas de impacto lideradas por mulheres conseguiram aportes

Amcham Brasil

21 de outubro de 2019 | 14h49

Cultura machista faz com que a caminhada pela jornada empreendedora seja mais um desafio maior para as mulheres

Segundo o 2º Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental, conduzido pela Pipe.Social, apenas 25% das empresas de impacto social lideradas por mulheres conseguiram aportes. Por outro lado, 55% dos negócios fundados apenas por homens – ou com mais homens do que mulheres no quadro societário – já captaram investimento.

O estudo também mostrou que a maior presença masculina no quadro societário é um padrão dos negócios que captaram investimento em aceleradoras, empresas privadas, fundos de venture capital, fundos de private equity e institutos/fundações. Enquanto isso, os negócios com maior presença feminina no contrato social têm acessado fontes como crowdfunding; Family, Friends & Fools (FFF); instituições públicas/governo; bancos de fomento e comerciais por meio de empréstimos e doações.

Embora a pesquisa destaque apenas os negócios de impacto, a co-fundadora da Pipe Social Livia Hollerbach acredita que a jornada de negócios em qualquer segmento é culturalmente masculina. “A cultura machista faz com que a caminhada pela jornada empreendedora seja mais um desafio maior para as mulheres”, afirma.

A fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes, concorda. Para ela, essa questão reflete também nos negócios convencionais: 95% dos investimentos são feitos em negócios liderados por homens brancos, justamente porque quem investe são homens brancos. “Isso porque na verdade a formação da sociedade e visão das mulheres na sociedade não é a visão de negócios, no ambiente de finanças e no ambiente de poder”, explica.

Como forma de contornar essa questão, Livia sugere que haja mais processos de aceleração de negócios com o foco específico em mulheres. Ana concorda e menciona um projeto iniciado por ela, Camila Farani e Maria Rita Spina (diretora da anjos do Brasil) há cinco anos. “Criamos uma iniciativa que é um grupo de mulheres executivas para fazermos com que essas mulheres invistam em outras mulheres”, comenta, lembrando que mulher têm sim que falar de dinheiro, têm que investir e fazer com que as mulheres olhem para as outras mulheres e invistam nelas.

DESDE O INÍCIO

Ainda segundo a pesquisa conduzida pela Pipe.Social, os homens são maioria no quadro societário nas verticais de Cidades (57% tem apenas homens ou mais homens); e Tecnologias Verdes (55%). A presença de mulheres é maior nos negócios relacionados à Cidadania (36% têm apenas mulheres ou mais mulheres) e Educação (37%). Também é menor a presença de mulheres que fazem uso de tecnologias como Big Data, Inteligência Artificial, ChatBot, Blockchain, Biotech, Moedas Virtuais e Internet das Coisas.

Ao longo dos anos, atribuiu-se um papel social de cuidado para as mulheres. Segundo Ana, isso se reflete como uma causa para o baixo ingresso de mulheres nas áreas de tecnologia, ciências, engenharia, matemática e negócios. “O número no que chamamos de hard Science (ciências que remuneram melhor), infelizmente, vem caindo”, manifesta.

“As meninas não sentem que esses são territórios para elas”, avalia. Desta forma, o ingresso nessas áreas deve ser incentivado para as meninas desde a infância. É preciso falar que elas não são apenas princesas – coisa que é feita com frequência: só elogiar pela beleza e não pelo intelecto.

PODER E INDEPENDÊNCIA

Quando a mulher é dona do dinheiro dela, ela é livre para tomar as próprias decisões, inclusive relacionadas a relações abusivas. “Quando você vê as mulheres em círculos de violência o que mais percebemos é que essa mulher continua nesse ciclo por não conseguir sustentar a si própria e aos filhos”, analisa Ana. Portanto, permitir que mulheres tenham o próprio negócio é também dar a elas oportunidade de decisão e independência financeira.

Sendo assim, a Avon criou a ação “Impulso Avon – Pesquisa de Impacto Socioeconômico da Avon na Vida das Revendedoras”, que ajudou a organização a entender como a venda direta de produtos impacta a vida das revendedoras. O projeto, realizado em 2017 e se estendendo até 2020, foi um dos vencedores da premiação de sustentabilidade corporativa da Câmara de Comércio da América (Amcham), Prêmio Eco, em 2018.

Segundo a diretora executiva do Instituto Avon e Diretora de Comunicação Corporativa da Avon, Daniela Grelin, a única diferença entre os dois grupos de mulheres escutados na pesquisa era ser ou não revendedora Avon. “Os resultados comparados nos trazem orgulho em ver como impactamos positivamente a vida destas mulheres em diversas esferas e apoiamos sua jornada de empoderamento e autonomia”, relatou.

Na pesquisa, foram avaliadas dimensões relacionadas a trabalho, reconhecimento e status, independência financeira, relacionamentos saudáveis e saúde. Os resultados foram sistematizados em indicadores e têm pautado as ações da companhia para aumentar ainda mais este impacto.

“Ainda vivemos em uma sociedade onde a mulher encontra barreiras de crédito e financiamento. Há muitas mulheres empreendendo, mas se olhamos os dados, o empreendedorismo feminino tem especificidades que demandam soluções customizadas”, finaliza Daniela.

Tendências: