Limpe a casa sem sujar esgotos: a inovação dos limpadores ecológicos

Limpe a casa sem sujar esgotos: a inovação dos limpadores ecológicos

Amcham Brasil

16 de maio de 2019 | 10h00

Desde a formulação de produtos, passando pelo design das embalagens até o tratamento adequado de esgoto coletado existem diferentes agentes que podem contribuir para a preservação do meio-ambiente. Detergentes, mesmo que biodegradáveis, apresentam ameaça principalmente a rios, mares e lagos, que não dão conta da decomposição em larga escala proveniente de grandes centros urbanos como São Paulo, por exemplo. Definitivamente, o buraco é bem mais em baixo.

Segundo a idealizadora da ONG Menos Um Lixo, Fernanda Cortez, os produtos de limpeza têm vários tipos de componentes tóxicos que contaminam solo, água e ar, quando se misturam à água. “A maioria destes produtos é, inclusive, desenhada para ser usada em conjunto com água”, afirma. Porém, o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e atuante na área de projetos e sistemas de tratamento de águas e efluentes, José Carlos Mierzwa, afirma que foi criada uma legislação que bane o uso de ingredientes não biodegradáveis em detergentes e produtos de limpeza.

De fato, uma lei federal (n°7.365) sancionada durante o governo de José Sarney, em 1985, determina no Art. 1° que “as empresas industriais do setor de detergentes somente poderão produzir detergentes não poluidores (biodegradáveis)”. Entretanto, o texto integral está fora do ar no site do Planalto e na nota não há definição específica dos ingredientes classificados como biodegradáveis para a lei. Além disso, há um regulamento do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) que dispõe sobre a regulamentação do teor de fósforo em detergentes em pó para uso em todo o território nacional. O regulamento do órgão que pertence ao Ministério do Meio Ambiente é de 2005.

Literalmente limpos

Seguindo a linha da sustentabilidade, as marcas Terpenoil e YVY lançaram no mercado produtos de limpeza com formulação natural obtida por meio de fontes renováveis. Ambas as empresas pertencem ao mesmo dono, sendo a YVY um braço para atuação B2C da Terpenoil, operante no mercado B2B. Segundo o CEO da YVY, Marcelo Ebert, os produtos também economizam 60% do plástico utilizado para embalagem e reduzem para 10% o volume transportado.

O objetivo da companhia é fazer com que a YVY seja uma empresa separada da Terpenoil. É possível observar a diferença entre as duas desde o design da embalagem até a comunicação visual inteira do site, que funciona como um e-commerce. “Vendemos produtos naturais de limpeza em cápsulas e fazemos isso de maneira direta, através de assinaturas”, explica Ebert. A empresa, que venceu o Prêmio ECO da Amcham Brasil, também comercializa os borrifadores que alocam e permitem o acionamento das cápsulas.

Segundo o executivo, ingredientes naturais são mais caros que ingredientes sintéticos. Por uma questão de escala é impossível reduzir os preços, portanto, o que a empresa faz é diminuir o gasto com embalagem e vender produtos concentrados e com valor agregado. O preço de uma cápsula de limpador para banheiros  YVY descartável de 40 ml é de R$ 12,09 e o borrifador reutilizável custa R$ 19,90. Enquanto um semelhante da marca Veja de 500 ml com embalagem descartável em spray sai por R$ 8,79.

Processos (não tão) naturais

Na opinião de Fernanda, além da formulação de produtos por parte da iniciativa privada, é preciso haver leis bem definidas que regulamentem a utilização de determinadas substâncias e infraestrutura com um sistema de saneamento adequado no País. “A [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] Anvisa ainda permite a utilização de substâncias tóxicas ainda e não temos um sistema de saneamento no País que atenda todas as residências; temos um sistema muito frágil e deficitário”, manifesta.

Da forma de infraestrutura é preciso ter um bom sistema de saneamento no País, não só para evitar esses impactos, mas todas as outras contaminações; e não temos um sistema de saneamento no País que atenda todas as residências, temos um sistema muito frágil e deficitário ainda (também por conta das formas de moradia que fogem das redes de assistência básica, como ocupações ilegais, por exemplo). Além disso, a ativista reforça a necessidade de existirem produtos de limpeza atóxicos e biodegradáveis. 

Na visão de Mierzwa, produtos biodegradáveis pouco fazem diferença na contaminação de águas. Isso porque compostos orgânicos, principalmente no ambiente da água, são consumidos por bactérias que usam essa matéria como alimento. No entanto, esse processo consome oxigênio, então, uma concentração muito grande desses compostos, acaba com o oxigênio do meio, destruindo, assim, a vida marinha; dentre outras consequências.

Um dos diagnósticos deste fenômeno é a lenta taxa de transferência de oxigênio do ar para a água. “Existem regiões que todo o oxigênio que você teria na água desaparece; ele é praticamente consumido imediatamente pelas bactérias para estabilizar essa matéria orgânica”, explica. Portanto, na opinião do professor, é preciso haver estações de tratamento de esgoto que realizam esse processo de forma mais rápida. “Esse processo que levaria até cinco dias para ocorrer no meio ambiente, em uma estação de tratamento leva até seis ou cinco horas”, acrescenta.

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