Maioria dos consumidores finais não sabe origem da energia elétrica

Maioria dos consumidores finais não sabe origem da energia elétrica

Amcham Brasil

31 de maio de 2019 | 14h43

Segundo o sócio da Strategy&, Ricardo Pierozzi, o sistema nacional de energia é integrado e não possui carimbo em relação à origem da energia, o que, na visão dele, é algo relevante. “Teoricamente ele [o consumidor] sabe para quem está pagando aquela energia, então deveria saber qual é a fonte”, comenta.

Segundo o site do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Sistema Interligado Nacional (SIN) “propicia a transferência de energia entre subsistemas e permite a obtenção de ganhos sinérgicos”. Em outras palavras, ele evita a dependência de apenas uma fonte de energia. O sistema liga todas regiões do Brasil: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e a maior parte da região Norte.

A transmissão de eletricidade é independente da geração de energia elétrica, com as distribuidoras atuando no fornecimento por meio da compra em leilões. No site da ONS há um infográfico que indica que a capacidade instalada no SIN em 2018 é composta principalmente por usinas hidrelétricas (67,5%).

O infográfico também aponta que a energia eólica é a segunda maior em capacidade no SIN (8,8%), em seguida vêm a biomassa (8,5%), a termoelétrica a gás (7,9%), a termoelétrica a óleo e diesel (2,9%), a termoelétrica a carvão (1,7%), a nuclear (1,2%), a solar (1,1%) e outras (0,5%).

No Brasil, segundo dados do Ministério de Minas e Energia disponíveis em pesquisa do Instituto Mauro Borges (IMB), em 2016 cerca de 41,5% da matriz energética eram renováveis, com participação de 26,8% das grandes hidrelétricas e 41,5% da biomassa. Ainda em estágio embrionário, a energia solar representava menos de 1% do total. Enquanto isso, as energias não renováveis ainda representavam maioria, com 58,5% da matriz.

Luz no fim do túnel

Embora incipiente, o Brasil apresenta potencial para a geração da energia elétrica fotovoltaica. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE – 2006), o Brasil desfruta de elevada incidência de raios solares, representando mais de 2.200 horas de insolação por ano, o que equivale a um potencial de 15 trilhões de MWh.

De olho nesta capacidade, as empresas Órigo e Sun Mobi trabalham com a geração de energia fotovoltaica a partir de fazendas solares. Na Sun Mobi a energia é gerada em uma usina instalada em Araçoiaba da Serra (SP) e entregue ao sistema de distribuidora de energia pela distribuidora CPFL Piratininga. A empresa trabalha tanto com pessoas físicas quanto jurídicas.

No caso da Órigo, segundo a gerente de marketing, Tatiana Fischer, o foco é em pequenas e médias empresas, mas também possui plano de expansão para pessoas físicas. “A partir da construção das usinas solares, distribuímos os créditos gerados para os clientes da fazenda solar”, explica.

A compensação de créditos está prevista na resolução normativa n°482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), este modelo, chamado de geração compartilhada, possibilita que diversos interessados se unam em um consórcio ou em uma cooperativa, instalem uma micro ou minigeração distribuída e utilizem a energia gerada para redução das faturas dos consorciados ou cooperados.

Sistema de compensação de energia elétrica: sistema no qual a energia ativa injetada por unidade consumidora com micro geração distribuída ou mini geração distribuída (como fazendas solares, por exemplo) é cedida, por meio de empréstimo gratuito, à distribuidora local e posteriormente compensada.

Segundo o órgão, caso a energia injetada na rede seja superior à consumida, cria-se um “crédito de energia” que não pode ser revertido em dinheiro, mas pode ser utilizado para abater o consumo do cliente final nos meses seguintes ou em outras unidades de mesma titularidade (desde que todas as unidades estejam na mesma área de concessão), com validade de 60 meses. “Temos uma compensação de crédito no CNPJ de cada um dos nossos clientes”, completa Tatiana.

Tatiana lembra: “Em fazendas solares, nós não comercializamos energia, apenas alugamos esses lotes por meio de consorcio, então é mais um modelo de prestação de serviços.” Entretanto, a empresa também realiza a instalação de telhados solares personalizados de acordo com as necessidades do cliente final.

Cereja do bolo

Um dos benefícios oferecidos pelas duas empresas é a isenção de pagamento de bandeira tarifária. Segundo Pierozzi, a bandeira tarifária serve apenas para o mercado cativo de energia elétrica, não se aplicando ao modelo de geração compartilhada. “Se você gerou 10 de um lado e consumiu 10 do outro você está consumindo o que você mesmo gerou; então não tem bandeira”, afirma. As empresas afirmam que é possível economizar até 10% da fatura de eletricidade a partir da produção solar.

Além disso, as Enertechs também disponibilizam softwares e aparelhos de monitoramento de energia. “Nós ajudamos o cliente a reduzir a conta dele reduzindo o consumo e o desperdício”, aponta o sócio da Sun Mobi Guilherme Susteras. A empresa afirma que, com o auxílio do painel de controle instalado no local de consumo, é possível identificar focos de desaproveitamento.

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