No ambiente polui e na reciclagem dá lucro: conheça as vantagens do reaproveitamento do óleo

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No ambiente polui e na reciclagem dá lucro: conheça as vantagens do reaproveitamento do óleo

Amcham Brasil

02 de fevereiro de 2017 | 14h38

O que fazer com o óleo que sobra depois de fritar um alimento? Para muitos brasileiros a solução é a pia da cozinha. O costume que parece inofensivo, na verdade, apresenta impactos graves para o meio ambiente. Segundo informações da Sabesp, empresa responsável pelos serviços de saneamento básico do Estado de São Paulo, apenas um litro de óleo descartado incorretamente pode contaminar até 20 mil litros de água. O material é formado por substâncias que não se dissolvem na água e quando despejado em mares e rios, causa descontrole no nível de oxigênio, fonte essencial para a manutenção da fauna aquática.

Outra externalidade acontece na rede de esgoto. Quando o óleo de cozinha é jogado em pias e vasos sanitários, ele entra em contato direto com as tubulações do sistema. Pouco a pouco, o resíduo acumula-se nas paredes dos canos e retém consigo outros tipos de materiais que passam pelo local. O resultado disso é o “infarto” do sistema de esgoto. Um levantamento feito pela Sabesp indica que toda a região do centro da capital paulista teve em 12 meses – de junho de 2015 a maio de 2016 – o índice de 185 reparos por quilômetro de esgoto, o equivalente a um desentupimento por quilômetro a cada dois dias.

Bernardo Pires, gerente de sustentabilidade da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), explica que o descarte errado “além de entupir os encanamentos e trazer prejuízo, acarreta em mais gastos para tratar a água contaminada pelo óleo – ou seja, gera-se um impacto econômico”. Segundo a associação, no Brasil, o consumo per capita anual do produto é de 10 litros no uso doméstico. Analisando só o estado de São Paulo, a quantidade chega a 410 milhões de litros/ano. Durante o preparo de alimentos, parte do óleo é assimilada e ingerida. Já o que sobra, de acordo com a ABIOVE, corresponde a cerca de 10%, ou seja, 41 milhões de litros do produto. Esse montante, se despejado de forma incorreta, pode poluir até 820 bilhões de litros de água/ano, número alarmante.

Cooperativas e empresas de reciclagem pagam um valor alto pelo óleo usado – cerca de R$ 1,70 por litro -, o que acaba sendo um negócio vantajoso para estabelecimentos comerciais, como restaurantes e bares, que utilizam um grande volume do insumo. “Várias empresas desejam fazer esse tipo de coleta em função do preço da reciclagem. O grande problema hoje é o óleo utilizado por pessoas físicas. Como o volume menor, a coleta é mais difícil”, explica Pires.

Além de campanhas de conscientização e divulgação, uma boa estratégia são os programas de incentivo a coleta de óleo. Um exemplo é o Programa Novo Óleo criado pela Fiagril, empresa do setor de agronegócio. Com a colaboração de moradores, comerciantes, fazendeiros e instituições de ensino de Mato Grosso, a organização criou um sistema de bônus pela arrecadação do produto. No caso das residências, a cada 6 litros de óleo usado, o morador ganha um novo litro, que pode ser retirado em um dos vários pontos de troca credenciados. Outro diferencial é o serviço de coleta. A empresa disponibiliza motoristas para retirar o produto nas residências e estabelecimentos, evitando, dessa forma, qualquer tipo de contaminação. “O formato agradou muito porque a pessoa liga e nós vamos buscar com uma moto. Isso deixa o projeto mais dinâmico”, conta Gheorges Rotto, gerente de sustentabilidade da Fiagril. A prática levou a empresa a se inscrever no prêmio ECO em 2015.

Todo óleo recebido é tratado e direcionado para uma das fábricas da empresa, onde é transformado em insumo para o biodiesel, combustível mais sustentável e com menor emissão de carbono. De 2009 para cá, desde que o programa foi criado, as coletas só aumentaram, com mais de 960 mil litros de óleo. Segundo Rotto, os resultados vêm sendo positivos, pois as pessoas mudaram alguns costumes e ficaram mais preocupadas com o ambiente. “Eles participam, entendem e comentam com outros municípios. A população é pequena, mas tem alto índice de produção de coleta”.

A Cargill também estruturou ações de logística para tratar o resíduo de um dos seus produtos mais famosos, o óleo LIZA. O Programa, em vigor desde 2010, oferece ao consumidor uma alternativa para o descarte ambiental adequado e já foi implementado em oito estados. Por meio de parcerias, a empresa instalou pontos de coleta em locais como supermercados para ficarem mais próximos dos consumidores, segundo Márcio Barela, coordenador de sustentabilidade da Cargill Foods Brasil. A iniciativa também concorreu ao prêmio Eco no ano de 2014.

Empresas especializadas são contratadas para passar nos pontos de coleta e processar o resíduo. De acordo com Barela, desde o início do programa, já foram arrecadados um milhão e 700 mil litros de óleo residual. Além do ganho ambiental, essa sobra tem um enorme potencial econômico e pode ser usada em diversos produtos como sabão, tintas e vernizes. O principal destino do óleo reciclado hoje é na produção de biodiesel. Segundo boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Combustível (ANP) de dezembro de 2016, do total de biocombustível produzido hoje, 71% vem da soja, 15% de gordura bovina e 7% outros materiais graxos. O óleo de fritura representa apenas 0,75% desse total. “Com a maior demanda por biodiesel, essa proporção de óleo deve aumentar e, consequentemente, a demanda do resíduo também. Isso movimenta toda a cadeia de reciclagem”, identifica Barela.

O plano da empresa é estender o programa para todo o Brasil, ampliando as ações principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

 

Como armazenar e coletar o óleo usado em casa?
Após utilizar o óleo, deixe esfriar por pelo menos 30 minutos. Com a ajuda de um funil, coloque o material em uma garrafa de plástico e feche bem para evitar vazamentos, odores e insetos. Quando armazenar uma boa quantidade, leve as garrafas a um ponto de coleta – são cerca de dois mil espalhados pelo Brasil, segundo a ABIOVE. Diversos sites disponibilizam os endereços desses pontos, como o site do óleo Liza, o do programa Óleo Sustentável ou por meio de aplicativos, como o Vitaliv (App disponível apenas para a cidade de São Paulo).

 

Entenda a importância da caixa de gordura
O recipiente tem como objetivo reter o óleo e a gordura que são despejados na pia, evitando a obstrução das tubulações da rede de esgoto. Basicamente, como um mecanismo de filtro, ele separa a água que deve correr pelos canos e concentra os outros resíduos, que ficam na superfície do recipiente, já que a gordura flutua na água.

As caixas são indicadas para cozinhas grandes, principalmente as de estabelecimentos comerciais.  Para funcionar de forma efetiva, a manutenção periódica de limpeza é necessária.

 

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