Pecuária e avicultura investem em processos sustentáveis para atender consumidores mais exigentes

Pecuária e avicultura investem em processos sustentáveis para atender consumidores mais exigentes

Amcham Brasil

22 de janeiro de 2018 | 09h37

A busca por mais saúde está provocando mudanças nos hábitos alimentares das pessoas. Saber o que está no seu prato – de onde a comida veio, como foi processada e transportada, faz parte do novo mindset dos consumidores e explicam boa parte da ascensão de marcas que se preocupam com esses aspectos. O relatório “As Tendências Globais em Alimentos & Bebidas 2018”, da Mintel, reitera que a falta de confiança generalizada aumento a necessidade de que produtores se comuniquem de maneira clara com seus clientes sobre seus ingredientes, processos e cadeias. Globalmente, entre setembro de 2016 e agosto de 2017, 29% dos lançamentos de alimentos foram de produtos mais naturais (orgânicos, sem aditivos ou OGM). A exigência por ética e sustentabilidade no setor cresceu de 1% em 2007 para 22% em 2017, de acordo com a mesma pesquisa.

Dentro da pecuária e avicultura, a cobrança vem de diversos aspectos: criação mais saudável dos animais, sem gaiolas e com mais espaço, alimentação e rações mais naturais, e redução no uso de antibióticos e químicos. Linhas de carne e frango mais sustentáveis não são mais um nicho, e sim uma tendência geral do mercado. Para Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), a prova disso é que grandes grupos tem tomado ações nesse sentido. Um exemplo é a BRF: em parceria com a ONG World Animal Protection, a empresa estabeleceu diversos objetivos para melhorar suas práticas no fornecimento e produção de alimento. Isso inclui trabalhar com o bem-estar dos animais, como granjas com mais espaço e alimentação de qualidade, e também a gradativa redução da utilização de antimicrobianos. O crescimento de empresas como a Korin, reconhecida por suas práticas sustentáveis pelo Prêmio Eco, também representa esse novo paradigma na produção.

A questão da redução de antibióticos é uma das pautas mais relevantes nesse aspecto. Com o uso indiscriminado de medicamentos na criação de bois e frangos preocupa órgãos internacionais, inclusive a Organização das Nações Unidas. A FAO, que promove o diálogo sobre alimentação e agricultura na ONU, aponta que o crescimento no uso de antibióticos em animais eleva o risco de aumento na resistência das bactérias. Com isso, os medicamentos se tornam ineficientes, colocando a saúde dos animais e das pessoas em risco. As chamadas superbactérias significam doenças mais difíceis de curar. A FAO trabalha com a estimativa que 700 mil mortes por ano tem alguma relação com a resistência a antibióticos e avalia que esse número pode chegar a 10 milhões em 2050.

Uma das críticas da organização é que poucos países no mundo têm dados coletados sobre o uso de medicamentos em animais de criação. Com as informações de apenas 42 países, a estimativa é que o consumo de medicamentos pelo setor da pecuária tenha sido de 63 mil toneladas. Uma das principais recomendações da organização é justamente promover boas práticas no setor, reduzindo as chances dos animais ficarem doentes. Pensar em bem-estar, espaço para criação, liberdade, alimentação é uma das chaves. Enquanto os consumidores puxam essas mudanças, o mercado retroalimenta a necessidade dessas discussões também nos negócios B2B. Em 2015, por exemplo, o McDonald’s dos Estados Unidos anunciou que deixaria de comprar carne de frango com antibióticos.

Dentro dessas tendências, o Grupo Vibra criou, em agosto de 2016, uma nova linha de frangos resfriados e congelados que abarca as novas exigências do consumidor: a nat. Verde. Criado em granjas exclusivas e mais espaçosas do que o exigido pela legislação, com ração exclusivamente vegetal, os animais não recebem antibióticos terapêuticos. Caso fiquem doentes – entre 3% a 5%, segundo a empresa -, são tratados e retirados daquela linha. “O nat.Verde é um frango que nunca tomou medicamento”, resume Tiago Püttem, gerente de Marketing do grupo.

A marca se coloca como uma linha alternativa à orgânica, prezando pela qualidade da carne que seja mais saudável que a média devido às condições de criação. Como o frango resfriado tem uma validade mais curta, a organização também inovou nas embalagens: a tecnologia de atmosfera controlada (ATM) aumentou o prazo de conservação de seis para treze dias. A bandeja é reciclável, o que ajuda a diminuir a geração de resíduos.

“Como modelo de negócio, seguimos a lógica da empresa que valoriza a cultura de inovação e o produto foi uma possibilidade de mostrar isso. A linha nat.Verde deu uma visibilidade muito grande para a nossa marca. Nosso objetivo era trazer a opção mais saudável, que chegasse mais longe, com garantia e segurança e mostrar uma marca que preza por qualidade. E foi um sucesso, a linha só vem crescendo”, explica.

Atualmente, os cortes de frango nat. Verde registram uma rentabilidade acima da média, se tornando um dos principais produtos da empresa. O sucesso do case fez a organização receber o Prêmio Eco da Amcham no ano passado.

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