“Quer aprender pegue a latinha e ‘recicla’ uma com a outra”: descubra o hit brasileiro em reciclagem

“Quer aprender pegue a latinha e ‘recicla’ uma com a outra”: descubra o hit brasileiro em reciclagem

Amcham Brasil

04 de dezembro de 2019 | 12h42

O grande hit do carnaval do ano 2000 foi uma música que dizia “quer aprender pegue a latinha e bate uma na outra”. Apesar do sucesso musical, as latas de bebidas consumidas na maior festa popular brasileira teve um holofote limitado e, encerrado a folia, foram esquecidas aos cantos, ocupando apenas os grandes espaços dos lixões e aterros sanitários do País.

Com a contribuição de cantadores e da indústria de consumo, o ‘hit musical’ se transformou e ocupou novos palcos. A música sucesso do começo do século foi adaptada a um processo mais sustentável: 97,3% das latas de alumínio foram recicladas no Brasil, maior índice do mundo, segundo dados de 2017 da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

“Parte disso deve-se à economia de energia e parte à questão da liga de alumínio, que quando é utilizado de reciclagem existe um custo menor da produção”, explica o presidente executivo da Abal, Milton Rego.

Segundo ele, o ciclo de vida da latinha também favorece a reciclagem. Em apenas 60 dias, o produto volta para as mãos dos consumidores, enquanto o automóvel demora 15 anos e o alumínio da construção civil 40 anos. “Como a latinha tem uma utilização e um ciclo de vida muito menor, existe muito mais lata no mercado, logo existe muito mais matéria prima reciclada para a confecção dela”, avalia.

Na visão do diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), Andre Vilhena, os catadores também têm uma contribuição marcante na reciclagem. “Eles veem na lata de alumínio um material com alta liquidez no mercado e ótimo preço por quilograma coletado”, pontua. Milton, da Abel, concorda: “O fato da sucata do alumínio ser tão valiosa incentiva os catadores a catarem alumínio por ganharem muito mais do que com outros materiais.”

Ainda segundo dados da Abal, a latinha coloca pouco mais de R$ 1 bilhão de renda na reciclagem. A sucata de alumínio é responsável por 40% a 45% do consumo de alumínio no brasil, senod que o consumo per capta de latinhas no Brasil é pouco mais de 110. Além disso, Milton avalia que o litoral do País tem um consumo maior de lata, porque nas praias cada vez mais é proibido utilizar embalagens que não são alumínio – como o plástico, por exemplo.

Latinha: a preferida por consumidores e indústria

O alumínio pode ser obtido de duas formas: da mineração da bauxita ou da reciclagem pós-consumo. Segundo Milton, ao longo dos anos as empresas que produzem alumínio melhoraram os processos metalúrgicos, fazendo com que o alumínio que vem de reciclagem tenha uma qualidade melhor.

“Há 20 anos nós reciclávamos pouquíssimas latas”. Por isso, após uma década de uso, o tipo de alumínio da reciclagem já apresentava as mesmas qualidades do alumínio primário, que possui qualidade inferior pela falta de tratamento. Além disso, a sucata virou algo muito valioso, porque o alumínio descartado consome muito menos energia para ser produzido (5%).

“Outra parte da historia é que aumentou muito o número de bebidas envasadas em latas de alumínio”, lembra o executivo da Abal. Isso porque, na visão dele, a questão da sustentabilidade tem sido cada vez mais levada em consideração. “Tanto por questões pessoais quanto por legislação, a busca por embalagens mais sustentáveis é a principal força de mudança que tivemos observado”, pontua.

Bebeu água? Não! Tô com sede, tô! É de reciclagem…

A fim de oferecer uma opção de embalagem mais sustentável e levando em consideração a grande capacidade de reciclagem de latinhas no Brasil, a Ambev lançará a água AMA em versão em lata. Além disso, 100% do lucro das vendas de todo o portfólio da marca é revertido para projetos e obras de acesso à água potável – o que já acontece com a versão em garrafas plásticas.

“O impacto é muito importante. Não só as latas de alumínio são amplamente recicladas no Brasil, como também são uma importante fonte de renda para milhares de famílias”, comenta o head de sustentabilidade da Ambev, Richard Lee. Ele lembra ainda que as garrafas de plástico continuarão fazendo parte do portfólio de AMA, mas que a empresa avaliará as reações do consumidor para tomar novas decisões.

Para Milton, o lançamento da Ambev responde dois grandes fenômenos: legislação de gestão de resíduos para os clientes (bares e restaurantes) e pegada sustentável. Na visão dele, bares e restaurantes estão cada vez com mais dificuldade de fazer a gestão de resíduos. “Os municípios estão apertando a legislação fazendo com que os produtores de dejetos sejam responsáveis pelos próprios dejetos”, analisa.

Assim, os estabelecimentos buscam alternativas para melhorar essa gestão. “E é óbvio que, você, tendo uma lata de alumínio, a gestão desse resíduo é mais fácil do que de uma garrafa pet”, finaliza, acrescentando que a ideia pode ser bem recebida.

O fato é que, o Brasil, “era um menino tocador que dispensou o agogô e o tambor pra tocar lata. Do ta ta ta, ele gostou. Do tum tum tum, ele adorou. E muito mais da ‘reciclagem-ta-ta-ta’”

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