Trivial e poluente: o cafezinho diário que gera toneladas de lixo

Trivial e poluente: o cafezinho diário que gera toneladas de lixo

Amcham Brasil

25 de abril de 2019 | 10h00

Foto: unsplash – kous9

Há várias razões para explicar porque o consumo de café em cápsulas entrou definitivamente no gosto das pessoas. É prático de fazer – basta colocar a cápsula na máquina – e ainda é possível escolher entre o sabor preferido e as crescentes opções do mercado. O sucesso desse mercado é tão evidente que já estão surgindo versões compactas de achocolatados, chá e até refrigerantes, bem como a entrada de grandes players internacionais no segmento.

À medida que aumenta o consumo do segmento, também cresce a preocupação com a reciclagem das cápsulas. As principais marcas do segmento, Nespresso, Dolce Gusto, Três Corações, L’Or, Pilão, Pelé e Melitta, têm programas de reciclagem e há outras, como a Orfeu, que lançou uma cápsula biodegradável e compostável.

Os esforços são limitados por duas questões cruciais, observa Renata Ross, gerente de relacionamento e marketing da empresa de logística reversa Terracycle: a falta de estrutura de coleta seletiva nas cidades e a baixa conscientização para a reciclagem. “Também é uma questão de educação, mas que está associada à falta de estruturas de coleta seletiva. Tem um percentual enorme de consumidores que sequer conhecem que a baixa reciclagem de cápsulas é um problema.”

Esforços conjuntos são necessários para aumentar o costume de descartar corretamente. Além da questão educacional, Ross cita que as empresas podem ampliar o esforço de informar os consumidores quando tem algum plano voltado de reciclagem para o produto. “Muitas vezes, ele nem tem ciência disso.”

Oportunidades indo para o lixo

Há, literalmente, oportunidades econômicas indo para o lixo. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), o Brasil perde, todos os anos, 8 bilhões de reais justamente por não reciclar materiais, que vão para aterros ou lixões. Ou seja – ainda há muito potencial para crescer.

Ross detalha que somente 22% das cidades brasileiras têm alguma coleta seletiva. “E desse percentual, não significa que toda a população local tenha acesso aos pontos de reciclagem. Tudo isso é para dizer que é muito difícil reciclar cápsulas de café.” A executiva conta que o percentual de cápsulas que são descartadas corretamente no meio ambiente é muito baixo. “Para se ter uma noção, o Brasil recicla pouco mais de 1% de tudo que é colocado no mercado. Com base nisso, já se consegue ter uma ideia de que a coleta de cápsulas é menos do que isso.”

A reciclagem é um desafio que só vai aumentar com o tempo. De acordo com o instituto de pesquisas Euromonitor, o consumo de café em cápsula foi equivalente a 11 mil toneladas em 2018. Isso representa apenas 1,9% do volume total de café que os brasileiros consumiram. Mas, até 2023, o instituto projeta um crescimento anual de 5% a 7% no consumo, dependendo da região do Brasil.

Ainda segundo o instituto, 8% das casas brasileiras têm máquinas para café em cápsulas. Nos próximos cinco anos, esse número vai praticamente dobrar, atingindo o total de 15% dos lares.

O que as empresas estão fazendo

Apesar da baixa adesão, as empresas estão criando estruturas de reciclagem. A Terracycle é parceira dos programas de reciclagem de cápsulas de café da Melitta e da Jacobs Douwe Egberts (JDE), detentora das marcas L’Or e Pilão. Em quinze meses de operações das iniciativas, foram coletadas aproximadamente 110 mil cápsulas. A Terracycle conquistou um Prêmio ECO em 2018, com os programas de reciclagem.

Os programas da JDE e Melitta são semelhantes. Basicamente, consistem no envio das cápsulas pelo correio (o selo é pago pelas empresas). As embalagens plásticas recebidas são moídas e transformadas em nova matéria-prima, enquanto o alumínio passa por fundição e também volta à cadeia produtiva como insumo.

A borra de café vai para compostagem. No programa da JDE, cada cápsula enviada equivale a dois centavos, que poderão ser revertidos em doações para uma instituição sem fins lucrativos ou escola pública de escolha do doador. Para saber mais sobre o programa de reciclagem da JDE, veja aqui. O da Melitta pode ser acessado aqui.

Centro de reciclagem

Como as cápsulas são feitas de plástico e alumínio, materiais difíceis de reciclar, a marca líder Nespresso criou um centro próprio de reciclagem para dar um destino correto às cápsulas da marca em Barueri (SP). Nesse link, é possível saber onde estão os pontos de coleta de cápsulas da Nespresso. Para descartar os recipientes da Dolce Gusto, outra marca da Nestlé, é precisso acessar aqui.

Os recipientes coletados pela cidade são recebidos, triturados e separados mecanicamente da borra de café. Tudo isso sem uso de água. O alumínio vai para os parceiros de reciclagem e volta ao ciclo produtivo como matéria-prima. Já a borra é aproveitada como adubo orgânico. No ano passado, detalhamos o caso da Nespresso no Ecoando. Leia sobre ele no Ecoando.

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