Condenação do Lula: estou triste!

Condenação do Lula: estou triste!

Estou triste porque uma pessoa que teve mais de 278 milhões de votos, somados os obtidos em todas as suas candidaturas a presidente da República, foi condenada a 12 anos e 1 mês de prisão. Mas feliz pela sua condenação.

Alexandre Cabral

25 de janeiro de 2018 | 13h05

Foto do acervo do Blog: Coluna do Estadão – Andreza Matais

Estou triste porque um presidente que governou o Brasil, diretamente, por 8 anos e, indiretamente, por mais 5 anos e meio foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão.
Estou triste porque uma pessoa que teve mais de 278 milhões de votos, somados os obtidos em todas as suas candidaturas a presidente da República, foi condenada a 12 anos e 1 mês de prisão.
Estou triste porque a pessoa que até hoje mais votos obteve em uma eleição presidencial – 58 milhões – foi condenada a 12 anos e 1 mês de prisão.
Estou triste porque essa mesma pessoa usou o tráfico de influência para se perpetuar no poder, fazendo alianças com grandes empresários, não somente para tentar melhorar o Brasil, mas também para beneficiar sua condição financeira (como entenderam os desembargadores).
Estou triste porque essa pessoa favoreceu um esquema de contratações duvidosas de uma empreitaria amiga (OAS) na Petrobras, em troca de um apartamento.
Estou triste porque pessoas de sua confiança ajudaram a “quebrar” a Petrobras. Uma cicatriz que vai permanecer por muitos anos.
Estou triste porque dois dos seus principais aliados, José Dirceu e José Genoíno, também foram condenados.
Estou triste porque o País pode perder um forte candidato à Presidência, não por meio do voto dos brasileiros, mas por via judicial. Três homens, e não as urnas, podem ter decidido o destino de uma candidatura.
Estou triste porque jamais gostaria de escutar isso sobre uma pessoa que, por 8 anos, foi a maior autoridade do País: “lamentavelmente, Lula se corrompeu” (procurador da República Maurício Gerum).
Estou triste porque a democracia pode sair ferida e essa condenação pode favorecer candidatos extremistas na eleição deste ano.

 

Você pode me perguntar: não está comemorando? Soltando fogos? Não. Estou refletido sobre o país que queremos, onde todos tenham os mesmos direitos e deveres. De verdade, não fico contente por ver um presidente condenado por corrupção.

 

Mas nada me deixou feliz? Sim, acredito que a justiça foi feita. Eu, como economista e não advogado – e, portanto, pouco entendedor das leis -, apoiei a condenação, no que eu compreendi do julgamento.
Detalhe: nunca votei no Lula.

 

Sobre a eleição desse ano
Algo me diz que Lula será candidato e, se for proibida a sua candidatura – que deverá ser registrada somente em agosto –, ele apoiará Ciro Gomes, que se tornará um forte concorrente ao segundo turno. Mas vamos dar tempo ao tempo.
Eu acho que teremos um embate pesado entre esquerda e direita, com discursos radicais de ambas as partes. Digo uma coisa: radicalismo não acrescenta nada ao debate.

Edição: Patrícia Monken

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