Copa do Mundo: a maldição de 4.383 dias da nossa seleção

Copa do Mundo: a maldição de 4.383 dias da nossa seleção

Existe uma maldição na seleção brasileira em jogos da Copa, que já dura 4.383 dias. Qual maldição é essa? Será que superaremos hoje?

Alexandre Cabral

27 Junho 2018 | 05h30

O que você estava fazendo no dia 27 de junho de 2006? Não lembra? Já faz muito tempo? Pois saiba que foi a última vez em que o Brasil ganhou de um país que não começa com a letra “C”, em um jogo de Copa do Mundo. Na ocasião, batemos por 3 a 0 a seleção de Gana, no mundial disputado na Alemanha. E lá se vão 4.383 dias – ou 12 anos. Será hoje o momento em que finalmente quebraremos essa maldição?

Paulo Whitaker (Reuters) / Ernesto Rodrigues / Estadão Esportes / Email Estadão

A esta altura do ano de 2006, o Brasil já havia vencido 4 jogos seguidos na Copa: 1 a 0 contra a Croácia, 2 a 0 contra a Austrália e 4 a 1 contra o Japão, todos pela primeira fase, além dos 3 a 0 contra Gana, já nas oitavas de final. Mas o passo seguinte não foi feliz. Perdemos o jogo contra a França por 1 a 0, nas quartas de final, e nos despedimos da competição. Nenhum jogador daquela seleção está na Copa de 2018. Mas ainda estão em atividade Luisão, Fred e Robinho.

Na Copa seguinte, em 2010, na África do Sul, vencemos Coréia do Norte (2 a 1), Costa do Marfim (3 a 1), empatamos com Portugal (0 a 0) e ganhamos do Chile (3 a 0), nas oitavas de final. Fomos eliminados, nas quartas de final, pela Holanda, por 2 a 1.

Na Copa de 2014, no Brasil, ganhamos da Croácia (3 a 1), empatamos com o México (0 a 0), batemos Camarões (4 a 1) e, já nas oitavas, empatamos com o Chile (1 a 1). Nas quartas, vencemos a Colômbia (2 a 1). E então perdemos pelos inesquecíveis 7 a 1 para a Alemanha na semifinal e levamos 3 a 0 da Holanda, na disputa pelo terceiro lugar.

Na Rússia 2018, nossa única vitória até agora foi contra Costa Rica, por um pouco convincente placar de 2 a 0.

 

Mas espere aí. Este blog não é sobre economia? Pois vamos a ela. Quem sabe os indicadores econômicos nos dão algum sinal sobre o que nos aguarda na partida desta quarta-feira, contra a Sérvia?

Decidi então comparar alguns números, mostrando como se comportaram em 27 de junho de 2006, na última vitória do Brasil contra um país que não começa com a letra C, e qual a cotação agora, 12 anos depois, às vésperas do confronto decisivo para o futuro do Brasil na Copa da Rússia. Obs: peguei as cotações do dia 26 de junho de 2018, já que estou publicando este texto no dia 27 pela manhã.

Hering Ordinária: R$ 0,85 x R$ 15,01 – variação de 1.665,88%

Ambev Ordinária: R$ 2,21 x R$ 17,94 – variação de 711,76%

Vale Ordinária: R$ 15,75 x R$ 48,05 – variação de 205,08%

Petrobras Preferencial: R$ 14,57 x R$ 16,00 – variação de 9,81%

Juros acumulados no período (CDI): 243,48%

Inflação (IPCA): variação de 93,51%

Dólar: R$ 2,2315 x R$ 3,7721 – variação de 69,04%

Petróleo Brent: US$ 71,18 x US$ 76,25 – variação de 7,12%

Taxa Meta Selic: 15,25% aa x 6,50% aa

Fontes: Cartezyan (ações), CETIP (juros) e Banco Central (dólar).

 

É um texto 100% lúdico, cultural, apenas usando estatística para informar. Quem sabe os números da economia querem nos dar algum recado? Torço muito para o Brasil na Copa e espero que a gente consiga ganhar de forma convincente da Sérvia (que bem poderia ter seu nome escrito com “C”, Cérvia – que tal?). E que possamos ser campeões.

 

Detalhe

No meu texto anterior, escrevi que o Ciro Gomes errou ao falar da atuação do Banco Central para segurar a desvalorização do real frente ao dólar. Descobri, com essa publicação, que os “ciromaníacos” são pessoas que acham que o Ciro está certo, mesmo estando errado. Quem realmente acha que o governo brasileiro está queimando reserva cambial nas proporções alardeadas pelo Ciro, que então apresente os dados objetivos que provam isso, colocando em xeque as informações oficiais do Banco Central e da Bolsa de Valores. Porque até agora, discursos inflamados à parte, o que temos de concreto mesmo é que, desde 2002, as operações de swap cambial comandadas pelo BC são liquidadas em reais e, portanto, não afetam a reserva cambial.

 

Edição Patrícia Monken