Eleições 2018: Alckmin continua empacado e isso pode estressar o mercado nesta segunda-feira

Eleições 2018: Alckmin continua empacado e isso pode estressar o mercado nesta segunda-feira

Alexandre Cabral

11 Junho 2018 | 05h20

Hoje (10/06) saiu nova pesquisa Datafolha para as eleições presidenciais em 2018. Vamos ser realistas: não faz sentido algum o Lula ser candidato. Então, nem vou considerá-lo de forma direta neste texto. Feita esta observação, vamos aos números:

Foto: Hálvio Romero – Estadão

– Jair Bolsonaro (PSL): 19%

Um candidato que tem em sua equipe um excelente economista (Paulo Guedes), mas que, como candidato, está ficando bastante incoerente. Vem mudando o discurso para agradar ao mercado financeiro – do tipo “apaguem o meu passado” ou “agora eu sou um candidato prafrentex”. Vale então relembrar, ao longo do tempo, alguns posicionamentos sobre temas importantes:

  1. Em 1994, Bolsonaro foi contra o Plano Real
  2. Em 1995, votou contra a quebra do monopólio da Petrobras para fazer pesquisa, extração, refino e negociação internacional do petróleo.
  3. Em 1996, foi contra a extinção do Instituto de Previdência dos Congressistas, que fornecia vários subsídios para os parlamentares, além de conceder aposentadorias especiais aos deputados e senadores.

Isso, para citar alguns exemplos. Resultado: o mercado financeiro tem um pé atrás gigante com o Bolsonaro. Ele vem bem nas pesquisas de intenção de voto. Mas, quando a campanha começar para valer, alguns fatores podem atrapalhar seu desempenho. Ele terá pouco tempo de televisão e não sei se conseguiria se sair bem em um debate – caso vá a algum.

 

– Marina Silva (Rede): 15%

Alguém sabe me dizer o que ela faz no período que vai da segunda-feira seguinte ao segundo turno de uma eleição presidencial até junho do ano da eleição seguinte? Por favor, me mandem essa resposta. Impossível uma pessoa que tem intenção de se candidatar à Presidência da República sumir por mais de 3 anos. Um ponto a favor é que Marina está com um trio de respeito sobre economia: André Lara Resende, Eduardo Gianetti e Ricardo Paes de Barros. Nos bastidores comenta-se que o Marcos Lisboa (Insper) também tem conversado com a equipe econômica dela. Dos 3 primeiros colocados na pesquisa, eu acho que tem mais chance e conquistar o mercado financeiro é ela.

 

– Ciro Gomes (PDT): 10%

Um nome que não agrada ao mercado financeiro. Além de uma personalidade altamente explosiva, tem umas ideias um pouco diferenciadas. O que pode ajudar são os rumores de que deve colocar o presidente do grupo CSN – Benjamin Steinbruch – como vice-presidente na chapa. Isso pode ajudar a acalmar as ideias do Ciro, ou “Ciro da Massa”, como os seus eleitores gostam de chamá-lo.

Assim, neste momento, temos 44% das intenções de voto com candidatos que ainda não agradam em cheio aos investidores do mercado financeiro.

 

– Geraldo Alckmin (PSDB): 7%

Rapaz, o cara gostou de ficar entre 6% e 7%. Na visão do mercado, Alckmin é o candidato que mais tem condições de fazer as reformas necessárias para o avanço da economia. Um dos principais motivos atende pelo nome de Armínio Fraga, que tem ideias liberais e conta com ampla aprovação por parte do pessoal da Faria Lima (importante centro financeiro da capital paulista). Mas tem um problema: o Alckmin empacou. Eu particularmente acho que ele é um candidato bem-intencionado. Mas o PSDB está bastante queimado com a população, devido aos escândalos envolvendo o senador Aécio Neves e também por insistir em apoiar o presidente Michel Temer, mesmo com todos os escândalos no radar. Fora citações ao próprio Alckmin em algumas denúncias.

 

Álvaro Dias (Podemos) também agrada ao mercado, mas acho que não tem carisma nem partido necessários para tentar sair dos 2% a 4% de intenções de voto.

O sonho dourado de vários trabalhadores da Faria Lima: João Amoedo (Novo). Esse, nas pesquisas, aparece lá embaixo, oscilando entre zero e 1% das intenções de voto. Ou seja, a chance de ganhar é quase nula.

Estava esquecendo de falar do Meireles (MDB), esse vai passar vexame se for candidato, vai ficar no outro dos outros, principalmente se considerar o apoio do Temer.

 

Conclusão

Nessa segunda feira (11/06), o mercado financeiro poderá abrir levemente estressado, olhando para os resultados dessa pesquisa. O principal motivo do nervosismo: Alckmin empacou! Acho que o maior comentário do dia vai ser: “por que não colocam o João Dória no lugar?”. Acho que o medo do PSDB é não eleger o Dória presidente e ainda perder o governo paulista para o Paulo Skaf (MDB). Aí seria uma crise pesada para o partido, que há 24 anos comanda o Estado de São Paulo.

Para não dizerem que não falei de Lula, precisamos aguardar para saber quem ele vai apoiar como candidato à Presidência da República. Vamos ver se será o Ciro ou o Fernando Haddad (PT). Isso, sem dúvida, vai influenciar o resultado da eleição.

Outro aspecto importante é que 33% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar. Ao longo da campanha, dependendo de como esses votos se distribuírem, poderemos ter mudanças significativas em relação ao quadro atual.

 

Detalhe

Sim, nesse cenário de tanta volatilidade e incertezas, também temos todos os ingredientes para eleger um candidato antirreformista e transformar 2019 em um ano ruim para a nossa economia. A não ser que esse candidato dê uma de Lula na primeira eleição (2001) e faça um governo bem diferente do que dizia e prometia na campanha.

Último detalhe: o mercado pode oscilar entre positivo e negativo nessa segunda-feira com outras notícias também, como: reunião Trump e Kim, atuação do BACEN no câmbio e etc.

 

Edição Patrícia Monken