Ações PNB da Eletrobrás tiveram menor cotação desde 2004

Estadão

21 de novembro de 2012 | 19h53

Vinicius Neder, Beth Moreira, Luciana Collet e Mônica Ciarelli

RIO – As ações da Eletrobrás foram o principal destaque de baixa pelo segundo pregão consecutivo na BM&FBovespa, com investidores saindo em massa do papel diante das perdas iminentes da renovação das concessões sob as novas regras da MP 579. As ações PNB (preferenciais, sem voto), que iniciaram o dia em forte queda e chegaram a entrar em leilão (suspensão temporária de negociação) atingiram sua menor cotação desde junho de 2004, a R$ 7,84, queda de 20,08% no dia. Os papéis ordinários (ON, com voto) também renovaram as mínimas históricas, atingindo a menor cotação desde setembro de 2003 recuo de 15,73%.

Apesar do mau-humor dos investidores, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse, em evento em Búzios, no Rio, que o nervosismo do mercado é normal e deve-se também a fatores negativos na economia mundial. Na mínima do dia, Eletrobras PNB chegou a R$ 7,86 (-19,87%). No ano, os papéis acumulam perdas de 67%, enquanto os ordinários (ON) pouco mais de 59%.

Só em novembro, as perdas são de 49% e 40%, respectivamente. Na segunda-feira, a ação PNB já havia desabado 15,43%, a maior queda do Ibovespa, seguida por Eletrobrás ON (-13,40%).Na semana passada, a companhia anunciou que recomendará a prorrogação das concessões por mais 30 anos, em assembleia que será realizada com acionistas no dia 3 de dezembro. Como consequência da decisão, a estatal estima uma perda de receita de R$ 9,629 bilhões em 2013, nas operações de geração e transmissão.

Diante do cenário nada positivo, as ordens de vendas de investidores se seguem a relatórios negativos de analistas de alguns dos principais bancos de investimento. O Barclays rebaixou no início da semana a recomendação para as ações da Eletrobras e reduziu o preço-alvo (estimativa do valor justo para a ação) de 12 meses para R$ 1, tanto a ON como a PNB, ante estimativa anterior de R$ 20 e R$ 29, respectivamente.

Já o Itaú BBA cortou o preço-alvo da ação PNB de R$ 17,50 para R$ 8,00. Em relatório intitulado “Sangue, trabalho duro, lágrimas e suor”, os analistas Marcos Severine e Mariana Coelho destacam que no estudo relacionado à renovação das concessões a Eletrobras deixa claro que não haverá mais dividendos para os acionistas, pelo menos no curto e médio prazos.

O estudo citado, afirmam, indica que a companhia pode ter de registrar uma perda de R$ 17,8 bilhões no quarto trimestre de 2012, que, na opinião dos profissionais, deve ser acompanhada por diversas outras pesadas provisões para ajustar o balanço da companhia. Além disso, eles consideram que a Eletrobras terá que receber um grande aporte de capital, de R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões, no curto prazo.

Na visão do diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, a MP 579 torna a estatal praticamente inviável. Para Pinguelli, a perda de fôlego financeiro que resultará da MP vai afetar diretamente o quadro de funcionários das empresas do setor, não só da Eletrobrás.

“A parte técnica será amputada. Acredito que vai obrigar Furnas, Chesf, Eletronorte e, provavelmente, a Cemig reduzirem seus quadros técnicos”, afirmou Pinguelli, completando que esse movimento terá reflexo na qualidade dos serviços prestados pelo setor.

Por outro lado, para Hubner, da Aneel, “o mercado é assim mesmo, é nervoso”, mas o governo não pode se pautar por esse nervosismo. Em evento de inauguração de um projeto da distribuidora Ampla, em Armação dos Búzios, litoral norte do Estado do Rio, o diretor-geral da agência reafirmou que o prazo para a adesão das empresas à proposta de renovação das concessões está mantida em 4 de dezembro e disse que o governo estuda alternativas para o caso de algumas empresas não aceitarem.

No caso da não renovação das concessões, a União tem duas opções: a relicitação ou atribuir a operação dos ativos a empresas estatais. Hubner admitiu que a segunda opção poderia beneficiar a Eletrobras no médio prazo, mas, segundo ele, a licitação é prioridade.

“A ideia principal é a gente licitar”, disse Hubner, destacando que essa opção pode trazer tarifas ainda mais baixas. “No momento em que se vai licitar, o patamar de partida será o que oferecemos. Se se está numa competição, a tendência é que os valores caiam”, completou.

Já para garantir a redução média de 20% nas tarifas de energia aos consumidores residenciais e empresariais, como prometido pela presidente Dilma Rousseff no anúncio do plano do governo, a alternativa poderia ser ampliar a redução dos encargos federais. O corte em algumas das taxas que financiam programas como o Luz para Todos – cujos custos serão repassados ao Tesouro – já está previsto na proposta apresentada em setembro, mas poderia ser ainda mais forte.

Apesar disso, Hubner reafirmou a confiança de que a maioria das empresas aceitará a proposta de renovação do governo, mesmo aquelas que já se mostraram desfavoráveis à ideia, como a Cteep.

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