Analistas veem divisão no BCE sobre corte no juros em outubro

Yolanda Fordelone

26 de setembro de 2011 | 10h10

Segundo analistas, o conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE) parece dividido sobre a necessidade de um corte na taxa de juros já em outubro, mesmo com o aumento das preocupações com a crise da zona do euro e uma possível recessão global.

Pela primeira vez, o presidente do Banco Central da Áustria, Ewald Nowotny, abriu a porta para um possível corte da taxa de juros num futuro próximo, afirmando em entrevista à agência de notícias Market News International que o “BCE nunca faz pré compromissos e cortes da taxa não podem ser descartados”. Na semana passada, ele já havia dito que os bancos centrais têm pouco espaço para adotar novas medidas para impulsionar o crescimento.

Do outro lado, o presidente do banco central de Luxemburgo, Yves Mersch, disse que a ideia de um corte de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros na próxima reunião do BCE, no dia 6 de outubro, é uma “expectativa extravagante”. Segundo ele, aqueles que estão esperando uma decisão desse tipo perderam o senso de direção, esquecendo que o banco central tem apenas “uma agulha na sua bússola”, que aponta para a estabilidade de preços.

Nos últimos dias, economistas levantaram a possibilidade do BCE colocar de lado seu tradicional foco na estabilidade de preços e afrouxar a política monetária, após indicadores mostrarem que a possibilidade de uma recessão na zona do euro está crescendo. Mas alguns não acreditam em um corte na taxa de juros já na reunião de outubro. Para Annalisa Piazza, da corretora Newedge, o BCE deve primeiro adotar medidas não convencionais para tentar estimular o crescimento, para depois recorrer a um corte nos juros, se necessário.

De fato, Josef Bonnici, representante de Malta no conselho executivo do BCE, sugeriu em uma entrevista no fim de semana que é mais provável o banco central expandir sua política de leilões de refinanciamento com colocação total do que cortar os juros.

Para Christian Schulz, do banco Berenberg, um corte na taxa de juros não é o cenário mais provável para a reunião de outubro do BCE, embora exista uma chance de 40% de isso acontecer. Segundo ele, o presidente Jean-Claude Trichet poderia adotar essa decisão para não deixar o fardo com Mario Draghi, que o substituirá na liderança do banco central a partir de novembro.

Mas o analista reitera que um corte na taxa de juros em outubro não é provável, pois apesar dos indicadores econômicos não serem bons, eles apontam para uma “estagnação ou leve recessão”, enquanto a inflação permanece acima da meta. Segundo ele, o mais provável é um corte na taxa de juros em janeiro, que seria pré anunciado em dezembro. As informações são da Dow Jones.

(Álvaro Campos e Clarissa Mangueira, da Agência Estado)

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