Após isenção do IOF, dólar tem forte oscilação e fecha em queda de 0,28%, a R$ 2,131

Estadão

05 de junho de 2013 | 10h19

Texto atualizado às 16h45

Silvana Rocha, da Agência Estado

O dólar enfrentou um pregão de forte oscilação nesta quarta-feira, 5, após o governo zerar o Imposto sobre Operações Financeirar (IOF) para aplicações de estrangeiros em renda fixa. Na mínima, a moeda chegou a cair 2% (2,094) e, na máxima, subiu 0,61% (2,15). No meio do dia, o Banco Central chegou a atuar e realizou um swap (venda de dólares no mercado futuro). No fim, o dólar encerrou em queda de 0,28%, a R$ 2,131.

Para o especialista em contas públicas da Tendências Consultoria Integrada, Felipe Salto, a decisão do governo “mostra o começo do fim” da nova matriz econômica adotada pelo governo federal. Essa nova matriz, segundo Salto, é baseada nas desonerações, câmbio depreciado e juros reais baixos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, no entanto, comentou mais cedo que a oscilação do dólar hoje não tem necessariamente relação com a mudança no IOF. Segundo ele, a redução do imposto sobre aplicações de capital estrangeiro em renda fixa é uma medida para ter efeitos de longo prazo.

A medida reforça a perspectiva de um aumento de ingressos de recursos estrangeiros no país, até porque há previsão de continuidade do aperto monetário na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nos dias 9 e 10 de julho. A taxa básica de juros, a Selic, já subiu 0,75 pp desde abril, do patamar de 7,25% para 8% ao ano, e tende a avançar ainda mais, segundo operadores de câmbio ouvidos pelo Broadcast.

Veja também:

Governo zera IOF sobre capital estrangeiro em aplicação de renda fixa

Para esses especialistas, o governo procura se antecipar à possível redução do programa de compra de ativos do Federal Reserve dos EUA e também está preocupado com o ritmo de crescimento da economia da China, que poderá ter impacto negativo nas exportações brasileiras. Além de conter a pressão excessiva sobre o câmbio interno, o governo e o Banco Central pretendem com essas medidas controlar a escalada da inflação e ainda amenizar o déficit em transações correntes do País.

Contudo, segundo um operador de tesouraria de um grande banco, o desmonte gradual do conjunto de medidas para conter ingressos especulativos de recursos no País ainda poderá limitar de alguma forma as entradas financeiras. Isso porque ainda está em vigor o IOF nas transações com derivativos, afirmou. Neste caso, um decreto define a cobrança de 1% de IOF sobre a diferença entre a posição vendida e a posição comprada em derivativos cambiais, a partir do dia da adoção do imposto em 27 de julho de 2011.

No fim da tarde de ontem, quando o mercado à vista já estava fechado, surgiram rumores nas mesas de câmbio em torno da reunião entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff. Os investidores já cogitavam a possibilidade de redução do IOF, conforme foi noticiado pelo Broadcast há algumas semanas.

Além de conter a pressão excessiva recente sobre o câmbio interno, o governo e o Banco Central pretendem com o afrouxamento dessas medidas controlar a escalada da inflação e ainda amenizar o déficit em transações correntes do País.

Em abril, o Brasil registrou novo recorde negativo nas suas contas externas, com déficit de US$ 8,3 bilhões nas transações correntes, segundo dados do Banco Central (BC). Foi o sexto mês consecutivo em que o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que ficou em US$ 5,7 bilhões em abril, foi insuficiente para cobrir o déficit em conta corrente. A previsão do BC é que isso se repita em maio, para quando é esperado déficit de US$ 5,2 bilhões e IED de US$ 2,8 bilhões. Na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), o resultado negativo acumulado em 12 meses atingiu em abril 3,04%, maior porcentual desde os 3,22% verificados em julho de 2002. No primeiro quadrimestre, o déficit praticamente dobrou em relação a 2012 (de US$ 17,4 bilhões para US$ 33,2 bilhões, enquanto os investimentos externos caíram de US$ 20,2 bilhões para US$ 18,9 bilhões.

Tudo o que sabemos sobre:

dólariof

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.