Após novas medidas para segurar o câmbio, dólar cai 0,46%, a R$ 2,14

Estadão

13 de junho de 2013 | 10h19

Fabrício de Castro

Texto atualizado às 16h40

O fim da cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em derivativos, anunciado ontem pelo governo, abriu espaço hoje para a queda do dólar ante o real. O movimento também foi favorecido pelo cenário visto no exterior, onde a moeda americana recuava de forma consistente ante outras divisas com elevada correlação com commodities. Para profissionais ouvidos pelo Broadcast, a queda do imposto permitirá que, quando a tendência global de valorização do dólar arrefecer, a moeda também recue no Brasil. Hoje, no primeiro dia após a medida, o dólar fechou em queda de 0,46%, cotado a R$ 2,1420 no mercado à vista de balcão.

A moeda americana permaneceu no território negativo durante todo o dia. Na cotação máxima do dia, vista às 9h51, o dólar marcou R$ 2,1520 (estável em relação ao fechamento de ontem) e, na mínima, às 9h23, foi negociado a R$ 2,1340 (-0,84%).

Ontem, com os mercados já fechados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou o fim da cobrança de 1% de IOF em posições vendidas líquidas em derivativos cambiais acima de US$ 10 milhões. A tributação, que vigorava desde julho de 2011, era classificada como “disfuncional” por diversos analistas, na medida em que servia como uma trava para maiores posições vendidas (de aposta na queda do dólar) no mercado futuro. Sem esta barreira, o dólar fica, em tese, mais livre para oscilar – principalmente para baixo, o que favorece o controle da inflação neste momento de pressão sobre os preços.

“Mas o dólar hoje cai muito em função do exterior, onde a moeda também cede”, acrescentou um profissional da mesa de câmbio de um banco. “Na verdade, o IOF zero em derivativos é muito bom para o mercado, porque elimina amarras. Mas o fim do IOF vai sensibilizar bastante o preço quando a pressão diminuir lá fora”, acrescentou, em referência ao movimento mais recente de alta da moeda americana em todo mundo, em meio à expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) possa reduzir seu programa de compra de bônus em um futuro próximo.

“Ótimo, agora eu posso vender (dólares no futuro). Mas este é o momento de vender? Acho que se o dólar enfraquecer (no exterior), teremos efeito da medida aqui”, comentou o profissional. Na prática, o mercado segue à espera da reunião de política monetária do Fed, na quarta-feira que vem.

Para Sidney Nehme, sócio da NGO Corretora, a medida do IOF já era esperada, porque era inevitável. “O governo não tinha como não adotá-la”, comentou. “Agora, a descida do dólar vai ser mais lenta. Acho que a moeda pode chegar até R$ 2,10 gradualmente – para abaixo disso, só se houver fluxo”, comentou.

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