BC atua, mas dólar fecha no maior nível desde julho de 2009

Bianca Pinto Lima

22 de setembro de 2011 | 16h43

O dólar comercial fechou em alta de 3,52%, a  R$ 1,91, maior cotação desde 17 de julho de 2009, quando atingiu R$ 1,928. Mais cedo, a moeda americana chegou a atingir a máxima de R$ 1,9530, mas perdeu força após o Banco Central (BC) anunciar a retomada da oferta de contratos de swap cambial tradicional (venda de dólar no mercado futuro), que não era realizada pela autoridade monetária desde 26 de junho de 2009. O BC vendeu US$ 2,7 bilhões em contratos de swap tradicional em leilão.

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“O BC notou que havia uma distorção no mercado futuro, principalmente por conta da colocação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre derivativos e, percebendo essa carência de venda da moeda, atuou para suprir essa necessidade”, afirma o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto.

Além disso, o economista ressalta que a alta do dólar nos últimos dias praticamente compensou a perda de valor das commodities no mesmo período, o que sinalizou ao BC que o impacto do cenário externo sobre a inflação brasileira pode não ser tão benigno como imaginado na última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que cortou a taxa básica de juros para 12% ao ano.

A operação serviu para antecipar o vencimento de parte dos contratos de swap cambial reverso no mercado. Em nota, a autoridade monetária afirmou que “poderá voltar a atuar, a qualquer momento, de modo a assegurar condições apropriadas de liquidez nos mercados de câmbio”.

A aversão ao risco que dominou os negócios nos principais mercados financeiros mundiais também ditou o rumo das demais moedas de países emergentes nessa quinta. Em momentos de incerteza, “as moedas dos emergentes são objeto de venda, até porque estão ligadas ao comportamento das commodities”, afirma Campos Neto.

O economista da Tendências afirma ser difícil fazer qualquer previsão sobre a cotação da moeda americana para o fim do ano. “Mas se houver uma acomodação das tensões ao longo das próximas semanas e meses, o real poderia voltar a se valorizar frente ao dólar”, afirma.

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(Hugo Passarelli, do Economia & Negócios)

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