Bolsas da Ásia caem com morte de ditador Kim

Yolanda Fordelone

19 de dezembro de 2011 | 08h27

A notícia da morte do líder norte-coreano Kim Jong-il fez a maioria das bolsas asiáticas apresentar queda acentuada. As contínuas preocupações sobre a desaceleração da economia chinesa também afetaram os mercados da região.

Foi o que ocorreu na Bolsa de Hong Kong, onde o índice Hang Seng caiu 215,18 pontos, ou 1,2%, e fechou aos 18.070,21 pontos, mais sensível aos temores sobre a China. As imobiliárias estiveram entre as blue chips que apresentaram pior desempenho. China Resources Land perdeu 4% e China Overseas Land cedeu 3,4%. Exposta à crise da dívida europeia, a varejista de moda Esprit deslizou 6,5%.

A morte também provocou uma reação instintiva no mercado japonês. A Bolsa de Tóquio fechou em queda acentuada, afetada pelas ações de estaleiros, empresas de trading e outros papéis sensíveis ao risco do mercado de commodities. Nesta segunda-feira, o Nikkei perdeu 105,60 pontos, ou 1,3%, e encerrou aos 8.296,12 pontos, após alta de 0,3% na sessão de sexta-feira.

Na China, a Bolsa de Xangai teve leve baixa, refletindo a decepção dos investidores com um programa experimental anunciado na sexta-feira por Pequim. O projeto permite que os fundos offshore em yuans possam ser investidos em mercados de capital do país, mas foi considerado de alcance limitado. O índice Xangai Composto caiu 0,3% e terminou aos 2.218,24 pontos. Já o índice Shenzhen Composto ganhou 0,3% e encerrou aos 912,84 pontos.

Rating

As três maiores agências de classificação de risco do mundo afirmaram que a morte do ditador não afetará imediatamente a visão sobre o rating de crédito soberano da vizinha Coreia do Sul. No entanto, as agências destacaram que se a sucessão de governo não ocorrer tranquilamente, o rating sul-coreano poderá ser modificado.

“A morte de Kim Jong Il levantou incertezas na península coreana”, afirmou a S&P em um comunicado. Se os riscos de segurança e políticos aumentarem, “a Coreia do Sul poderá ter implicações de segurança e financeira adversas como resultado. Se forem suficientemente sérias, o rating de crédito da Coreia do Sul pode ser afetado negativamente”, acrescentou a agência.

A transferência de poder para o filho mais novo do ditador, Kim Jong Eun, será mais difícil do que a transição para Kim Jong Il de seu pai, Kim Il Sung, porque ele já havia se preparado para o cargo durante anos, comentou Thomas Byrne, vice-presidente da Moody’s. “Poderá haver alguma briga interna sobre o posto de liderança”, disse, acrescentando, porém, que “uma mudança radical na estratégia geral é um cenário improvável”.

Mais cedo a Fitch havia afirmado que um colapso do regime norte-coreano ou uma escalada nas hostilidades entre as Coreias imporia custos para a Coreia do Sul que poderiam afetar seu rating.

A Moody’s classifica a Coreia do Sul com rating A1 e perspectiva estável, enquanto a S&P classifica a Coreia do Sul como A e perspectiva estável. A Fitch elevou em novembro a perspectiva do rating A+ da Coreia do Sul de estável para positiva. As informações são da Dow Jones.

(Antonio Rogério Cazzali, Ricardo Criez e Danielle Chaves, da Agência Estado)

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