coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Bolsas da Europa fecham em queda antes de BCE e Fed, mas no mês acumulam alta

Estadão

30 de abril de 2013 | 14h55

Stefânia Akel, da Agência Estado

As maioria das bolsas europeias fechou em queda nesta terça-feira. Os índices foram pressionados por dados negativos da zona do euro e dos EUA e pela cautela dos investidores antes da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Federal Reserve. A exceção do dia foi a Bolsa de Frankfurt, que subiu ajudada pelas ações do setor bancário após resultados positivos do Deutsche Bank, UBS e Lloyds. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou a sessão com queda de 0,23%, a 296,72 pontos, mas subiu 1% no mês.

A cautela dos investidores se somou ao tom negativo provocado pela divulgação de dados ruins. A taxa de desemprego na zona do euro subiu para 12,1% em março, de 12% em fevereiro, segundo a agência oficial de estatísticas do bloco. A taxa é a mais alta desde 1995, quando os dados começaram a ser registrados, e ficou em linha com a previsão de economistas consultados pela Dow Jones.

Na Alemanha, a taxa de desemprego ajustada ficou em 6,9% em abril, em linha com as expectativas de economistas, permanecendo em seu nível mais baixo desde a reunificação em 1990. O valor também é baixo em comparação com outros países da zona do euro. Em março, a taxa de desemprego ajustada também foi registrada em 6,9%.

Na Espanha, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre amargou contração de 2% ante o mesmo período de 2012 e queda de 0,5% em relação aos últimos três meses do ano passado. Este foi o sétimo trimestre consecutivo em que o PIB espanhol registrou contração.

Nos EUA, os dados vieram mistos. Entre os mais importantes, o índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial de Chicago, medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM), caiu para 49,0 em abril, de 52,4 em março. A queda contrariou a previsão dos analistas ouvidos pela Dow Jones, que esperavam alta para 52,8. Já o índice de confiança do consumidor norte-americano medido pelo Conference Board subiu para 68,1 em abril, de uma leitura revisada de 61,9 em março. Economistas consultados pela Dow Jones previam um avanço mais modesto do indicador em abril, para 62,0.

Amanhã, o Federal Reserve anuncia sua decisão de política monetária. No dia seguinte, será a vez do Banco Central Europeu. Uma parcela do mercado acredita que o atual cenário econômico exige reação das duas instituições. Indicadores ligados à produção ainda aquém do esperado, desemprego crescente e falta de confiança de consumidores e empresários em meio a um cenário de inflação controlada compõem o ambiente favorável a novos estímulos, argumentam.

Nesse cenário, o índice DAX da Bolsa de Frankfurt destoou dos outros índices e ganhou 0,51%, fechando a 7.913,71 pontos. No mês, o avanço foi de 1,52%. O Deutsche Bank liderou os ganhos hoje, subindo 6,1% após resultados melhores que o esperado. As ações da Lufthansa tiveram alta de 1,9% antes do anúncio de resultados na quinta-feira.

Já na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 recuou 0,31% e fechou a 3.856,75 pontos, mas subiu 3,36% no mês. A ArcelorMittal caiu 2%, pressionada pelos resultados da US Steel. A Vivendi perdeu 0,5% após comentários sobre a reestruturação da companhia na reunião anual de acionistas. Já a STMicroelectronics contrariou a tendência, subindo 2,2% após uma análise positiva do BofA Merrill Lynch.

Em Londres, o índice FTSE teve queda de 0,43%, encerrando a sessão a 6.430,12 pontos. O índice teve o pior desempenho do mês, subindo somente 0,29%. Abril, no entanto, foi o 11º mês consecutivo de alta na Bolsa de Londres. As mineradoras lideraram as perdas da sessão de hoje, pressionadas pela queda nos preços dos metais básicos. Polymetal International recuou 6%, Randgold Resources perdeu 4.1% e Anglo American caiu 2.7%.

Em Madri, o índice IBEX-35 perdeu 0,38%, a 8.419,00 pontos, mas avançou 6,30% no mês. O índice FTSE-Mib, da Bolsa de Milão, caiu 0,96%, para 16.767,66 pontos. O índice teve a segunda melhor performance do mês, ganhando 9,43%. E, na Bolsa de Lisboa, o índice PSI-20 perdeu 0,17%, fechando a 6.248,52 pontos, com a melhor performance no mês entre os índices europeus (+11,80%). As informações são da Dow Jones.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: