Bolsas de NY fecham em alta após PIB do 3º tri, mas “abismo fiscal” causa volatilidade

Estadão

29 de novembro de 2012 | 19h43

Álvaro Campos

As bolsas de Nova York fecharam em alta moderada nesta quinta-feira, impulsionadas pela revisão em alta do crescimento do PIB dos EUA no terceiro trimestre. Mas os principais índices acionários encerraram a sessão abaixo das máximas, após comentários de líderes políticos mostrarem que um acordo para evitar o chamado “abismo fiscal” não está tão próximo.

O índice Dow Jones ganhou 36,71 pontos (0,28%) e fechou a 13.021,82 pontos. O Nasdaq avançou 20,25 pontos (0,68%), fechando a 3.012,03 pontos. E o S&P 500 teve alta de 6,02 pontos (0,43%), fechando a 1.415,95 pontos.

Os investidores foram animados hoje pela revisão no PIB dos EUA. A economia do país cresceu mais do foi inicialmente estimado no terceiro trimestre, a uma taxa anualizada de 2,7%. Originalmente, a expansão do PIB havia sido estimada em 2%. Outros indicadores também foram positivos, como a forte alta nas vendas pendentes de moradias em outubro e a queda acima do esperado nos pedidos semanais de auxílio-desemprego.

No início da sessão, as esperanças de que os EUA conseguirão evitar que uma série de aumentos de impostos e cortes de gastos prevista entrar em vigor em 1º de janeiro, o chamado “abismo fiscal”, estimulou o apetite por risco. Ontem, o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, disse que estava “otimista” de que um acordo era possível. E o presidente dos EUA, Barack Obama, também fez comentários positivos.

Hoje, entretanto, Boehner deu declarações desanimadoras, que afetaram as bolsas e as commodities. Depois de um encontro com o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, o republicano afirmou que os democratas ainda não estão “falando sério” sobre os cortes de gastos e que não houve progressos significativos nas conversas com a Casa Branca.

Pouco tempo depois, o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, afirmou que Geithner não fez nenhuma oferta aos republicanos, porque o presidente Barack Obama já fez sua oferta e os democratas “estão todos na mesma página” na questão do “abismo fiscal”. Reid disse que não entende o pensamento de Boehner e que se não houver acordo será culpa dos líderes republicanos. “Não há outra oferta a ser feita”, assegurou.

“Eu acho que os mercados vão continuar reagindo a cada nova notícia sobre o ‘abismo fiscal’. Eu acredito que um acordo será atingido, e então nós teremos um rali de alívio. Mas até lá, segure-se no seu assento”, afirma Joseph Tanious, estrategista de mercados globais do JPMorgan Funds.

No front corporativo, as ações de empresas de telecomunicação e do setor de saúde lideraram as altas. Entre as blue chips, os maiores ganhos foram da Ford (+2,49%) e da Caterpillar (+1,54%). No campo negativo aparecem a mineradora da ouro GoldCorp (-0,91%) e a Home Depot (-0,91%).

As ações da Research in Motion (RIM) fecharam com valorização de 3,96%, após o Goldman Sachs elevar sua recomendação para a companhia, que deve lançar em breve o smartphone BlackBerry 10. Já a joalheria Tiffany & Co perdeu 6,17%, depois de divulgar balanço. O lucro da empresa caiu 30% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2011, para US$ 63 milhões. As informações são da Dow Jones.

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