Bolsas europeias caem puxadas por bancos e temor de calote da Grécia

Bianca Pinto Lima

19 de setembro de 2011 | 14h41

Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em queda nesta segunda-feira, com bancos como o Société Générale recuando em meio aos temores de que a Grécia possa entrar em default antes de conversas para discutir a crise nesta nação e determinar se ela receberá a próxima parcela de ajuda financeira.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 2,26%, ou 5,20 pontos, fechando em 224,96 pontos. Em Paris, o CAC 40 fechou em -3,00%, em 2.940,00 pontos. O DAX 30, da Bolsa de Frankfurt, recuou 2,83%, para 5.415,91 pontos.

“Parece haver um rumor de que a Grécia poderia entrar em default amanhã”, disse nesta segunda-feira Manoj Ladwa, trader sênior da ETX Capital. “Eu trato esses rumores com cautela, mas isso parece estar puxando os mercados para baixo.”

Na sexta-feira, os ministros de Finanças da zona do euro deixaram para outubro uma decisão sobre a liberação da próxima parcela de ajuda para a Grécia. Em Atenas, o índice ASE Composite caiu 1,7%, para 850,22 pontos. A Organização de Telecomunicações Helênica recuou 5,2%.

No domingo, o partido da chanceler alemã, Angela Merkel, sofreu outra derrota em eleições regionais, desta vez em Berlim. O analista de mercado Cameron Peacock, do IG Markets, escreveu em nota que a derrota da coalizão governista é mais um sinal de insatisfação dos eleitores. Peacock lembrou que, “sem o apoio da Alemanha, é difícil se ver uma maneira de tirar Atenas dessa situação difícil”.

As ações dos bancos caíram pela Europa, com o Société Générale recuando 6,7%, e o BNP Paribas outros 5,5%. Também em Paris, as ações da fabricante de pneus Michelin caíram 6%, após o Morgan Stanley cortar suas ações de overweight para underweight.

Na Alemanha, Commerzbank AG caiu 4,1%, e Deutsche Bank fechou em -4,5%. A Volkswagen caiu 5,4%, liderando vendas no setor de automotores, com a BMW caindo 1,7%. Em Paris, as ações da Peugeot caíram 4,6%.

No mercado de Londres os bancos também pesaram, com Lloyds Banking recuando quase 7%. O Royal Bank of Scotland caiu 5,7% e o Barclays outros 6,6%. As ações do HSBC cederam 2,6%. Na Bolsa de Londres, o índice FTSE 100 caiu 2,03%, para 5.259,56 pontos.

As ações de mineradoras caíram no mercado futuro, com os preços do cobre particularmente atingidos. As ações da mineradora de cobre chilena Antofagasta caíram 8,2%, as da Xstrata ficaram em -6,8%, enquanto a Anglo American recuou 4,6%.

Na Itália, as ações da Finmeccanica cederam 8,6%. A companhia informou que tinha planos para cortar cerca de 1.200 empregos em sua subsidiária do setor aeronáutico Alenia, segundo a Dow Jones. As ações da empresa vinham subindo nos últimos dias. Na Bolsa de Milão, o índice FTSE MIB caiu 3,17%, para 14.086,72 pontos.

As ações do produtor de aço sediado na Espanha Acerinox caíram quase 7%, após o Credit Suisse cortar o rating da empresa de outperform para neutro. O Ibex 35 recuou 1,98%, para 8.222,70 pontos, na Bolsa de Madri. Já na Bolsa de Lisboa, o PSI 20 recuou 2,21%, para 6.011,55 pontos.

Em Zurique, os papeis do Credit Suisse recuaram 6,2%. O banco afirmou na segunda-feira que chegou a um acordo de 150 milhões de euros com o escritório da promotoria de Dusseldorf, a fim de encerrar um processo sobre arrecadação de impostos. As informações são da Dow Jones. (Gabriel Bueno)

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