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Europa fecha em baixa com pouca expectativa de estímulo nos EUA e situação da Espanha

Estadão

30 de agosto de 2012 | 14h33

Sergio Caldas

LONDRES – As bolsas europeias tiveram perdas generalizadas nesta quinta-feira, com os investidores menos esperançosos de que haverá novas medidas de estímulo nos EUA e cautelosos em relação à habilidade dos líderes europeus de lidar com a grave situação financeira da Espanha.

O índice Stoxx Europe 600 caiu 0,8%, encerrando o dia aos 264,97 pontos, o nível mais baixo desde 3 de agosto.

Desde o começo da semana, as praças europeias vêm operando em compasso de espera antes do discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, marcado para esta sexta-feira, no simpósio anual do Fed em Jackson Hole (Wyoming). Foi lá que, em 2010, o chefe do banco central norte-americano preparou o terreno para a segunda rodada de relaxamento quantitativo com o objetivo de sustentar a economia dos EUA.

A esperança era de que o discurso de Bernanke fosse o prenúncio de uma nova rodada de estímulos, mas o otimismo de investidores diminuiu após a série mais recente de indicadores dos EUA que, em sua maioria, superaram as expectativas.

Enquanto isso, continuam as preocupações em relação à Espanha, que até o momento não entrou com pedido para um programa de ajuda integral, como vinham prevendo analistas. O Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, disse hoje que não recebeu qualquer tipo de solicitação financeira de Madri, que, por enquanto, conta apenas com o auxílio de até 100 bilhões de euros aprovado para o combalido setor bancário espanhol.

Após reunião hoje, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, e o presidente da França, François Hollande, disseram em entrevista coletiva que novas intervenções do Banco Central Europeu (BCE) através da compra de títulos soberanos serão justificáveis se os custos de financiamento dos países da zona do euro em dificuldades continuarem a subir. É muito alta ainda a diferença dos yields (retorno ao investidor) de bônus espanhóis e italianos em relação ao da dívida alemã.

Também pesaram hoje na Europa dados macroeconômicos desfavoráveis divulgados na região. Na Alemanha, o número de desempregados subiu 9 mil em agosto, acima da previsão dos analistas, que esperavam um acréscimo de 8 mil. Já o indicador de confiança de consumidores e empresas da zona do euro caiu este mês para o nível mais baixo em quase três anos.

O índice FTSE 100, de Londres, recuou 0,42%, fechando a 5.719,45 pontos. O setor de minério continuou em baixa, com Kazakhmys e Anglo American perdendo 4,9% e 3,4%, respectivamente. Outro destaque de baixa foi a WPP, maior líder mundial em comunicação de marketing, que caiu 1,6% após reduzir sua projeção de receita para este ano.

Em Paris, o índice CAC-40 registrou queda de 1,02%, para 3.379,11 pontos. Após comentários negativos do Morgan Stanley sobre o setor automotivo da Europa, Peugeot e Michelin encerraram em baixa de 3,9%, enquanto Renault cedeu 3,6%.

O índice Dax, de Frankfurt, o único dos principais mercados europeus a subir ontem, encerrou o pregão desta quinta-feira com a maior perda do dia, de 1,64%, a 6.895,49 pontos. Também neste caso pesaram as ações de montadoras, com quedas da Daimler (5,5%), BMW (4,8%) e Volkswagen (4,0%).

Em Madri, o índice Ibex-35 fechou a 7.195,00 pontos, perda de 1,52% ante a sessão anterior. No setor financeiro, caíram BBVA (1,51%), CaixaBank (1,33%) e Bankia (1,25%), em meio à expectativa de que o governo espanhol anuncie uma nova regulação para os bancos do país.

Já a bolsa de Milão mostrou perda de 1,09%, com o índice FTSE Mib a 14.780,55 pontos. Banca Monte dei Paschi di Siena tombou 6%, UBI Banca recuou 6% e UniCredit caiu 2,2%.

Após dois pregões de ganhos e um praticamente estável, o índice PSI-20, de Lisboa, registrou queda de 0,67%, encerrando a quinta-feira a 4.944,70 pontos. As informações são da Dow Jones.

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