Bolsas europeias fecham em queda com Grécia e retorno dos mercados nos EUA

Estadão

31 Outubro 2012 | 16h17

Álvaro Campos

LONDRES – As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em queda nesta quarta-feira, pressionadas por alguns balanços ruins, a volatilidade nos mercados acionários de Nova York, a alta na taxa de desemprego na zona do euro e a indecisão sobre a liberação da próxima parcela do resgate para a Grécia. O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,54%, fechando a 270,30 pontos.

Hoje, a agência de estatísticas da União Europeia (Eurostat) divulgou que a taxa de desemprego na zona do euro atingiu o recorde de 11,6% em setembro e o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da região subiu 2,5% em outubro.

Esses indicadores fracos somaram-se a persistentes incertezas com relação à Grécia, que foram alimentadas por comentários do ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, após uma teleconferência do grupo de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo). Segundo ele, o Parlamento alemão terá de aprovar a liberação da próxima parcela do segundo pacote internacional de resgate destinado ao governo grego. Schäuble também disse que as negociações sobre a Grécia não estão finalizadas, embora progressos estejam sendo feitos.

Posteriormente, o Eurogrupo divulgou um comunicado em que afirma que o programa de resgate da Grécia continuará sendo discutido em uma reunião em 12 de novembro, mas a decisão sobre a liberação da próxima parcela da ajuda internacional ao país só será tomada se o governo grego cumprir uma série de promessas antes dessa data. Dentro desse contexto de crise na Grécia, os maiores sindicatos trabalhistas do país convocaram uma greve geral de 48 horas nos dias 6 e 7 de novembro.

Além disso, nos EUA o índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial de Chicago, medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM), avançou para 49,9 em outubro, mas ficou abaixo da estimativa média dos analistas ouvidos pela Dow Jones, de 51,0. Enquanto isso, a reabertura das bolsas de Nova York não deu o impulso esperado por alguns analistas para os mercados europeus.

Nesse contexto, na Bolsa de Londres o índice FTSE perdeu 67,20 pontos (1,15%), fechando a 5.782,70 pontos. A queda foi puxada por uma retração de 13,69% nas ações da BG Group. Seu balanço do terceiro trimestre veio em linha com as previsões dos analistas, mas investidores se preocuparam com as decepcionantes previsões de crescimento na produção de gás natural este ano e em 2013. O Barclays perdeu 4,73%, após divulgar balanço e revelar que é alvo de uma investigação nos EUA.

O índice CAC 40, da Bolsa de Paris, teve queda de 30,17 pontos (0,87%) e fechou a 3.429,27 pontos. As ações da ArcelorMittal perderam 4,91% e o Credit Agricole teve retração de 2,30%. Já a petroleira Total teve queda de 0,44%, mesmo após divulgar alta de 20% no lucro do terceiro trimestre, a 3,35 bilhões de euros. E a Air France-KLM ganhou 8,37%, também após um balanço positivo.

Em Frankfurt, o índice DAX recuou 23,77 pontos (0,33%), fechando a 7.260,63 pontos. Balanços decepcionantes derrubaram as ações da Fresenius Medical Care (-4,43%), Infineon Technologies (2,94%) e Continental (-2,84%). Já os papéis da companhia aérea Lufthansa subiram 7,33%, após seus resultados trimestrais mostrarem que a companhia tem conseguido lidar com as dificuldades no mercado.

O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, teve queda de 29,23 pontos (0,54%), fechando a 5.355,96 pontos. Já o índice FTSE-Mib, da Bolsa de Milão, ganhou 17,94 pontos (0,12%) e fechou a 15.539,71 pontos. E em Madri o IBEX 35 avançou 9,00 pontos (0,11%), terminando a sessão a 7.842,90 pontos. As informações são da Dow Jones.