Europa fecha em queda, pressionada por incertezas sobre Grécia e dado alemão

Estadão

24 de setembro de 2012 | 14h22

Sergio Caldas

LONDRES – As bolsas europeias fecharam em queda nesta segunda-feira, influenciadas por preocupações com a difícil situação da Grécia e Espanha e por um indicador decepcionante da Alemanha, a maior e mais dinâmica economia da problemática zona do euro. O índice Stoxx Europe 600 encerrou o dia com baixa de 0,4%, aos 274,70 pontos.

Segundo Morten Kongshaug, estrategista-chefe do Danske Bank, a Grécia voltou à lista de fatores que alimentam a aversão ao risco após a revista alemã Der Spiegel publicar no fim de semana que Atenas precisará cobrir um rombo de 20 bilhões de euros em seu orçamento para cumprir as condições impostas por credores internacionais. Em comunicado, o Ministério das Finanças grego desmentiu a reportagem e afirmou que o déficit orçamentário do país está calculado em 13,5 bilhões de euros e que esse valor, após acordo com os credores, será coberto por 11,5 bilhões de euros em cortes de gastos e 2 bilhões de euros em receitas.

Na capital grega, o índice ASE acabou recuando 2,8% hoje, para 754,48 pontos.

Já o índice de confiança das empresas da Alemanha, do instituto IFO, frustrou os analistas ao cair pelo quinto mês consecutivo em setembro. A interpretação foi que as medidas de estímulos anunciadas na Europa e EUA possam não ser suficientes para sustentar a recuperação da economia global. Outro dado desanimador de hoje foi o índice nacional de atividade do Federal Reserve de Chicago, que em agosto continuou indicando contração, pelo sexto mês seguido.

Além disso, persistem as incertezas sobre a disposição da Espanha de pedir um pacote de ajuda integral, o que abriria as portas para o Banco Central Europeu (BCE) retomar compras de títulos soberanos espanhóis e reduzir os custos de financiamento de Madri. “O BCE deixou sua condição bem clara – o banco não vai comprar bônus se não receber pedido de ajuda”, comentou Kongshaug.

Em Madri, a bolsa espanhola registrou perda de 1,12%, com o índice Ibex 35 encerrando a segunda-feira a 8.138,40 pontos. No setor financeiro, Santander e BBVA tiveram quedas respectivas de 1,3% e 1,2%.

Também pesaram nas praças europeias notícias sobre as crescentes divergências entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, em relação ao cronograma para a implementação de uma proposta de união bancária na zona do euro. Merkel, que se reuniu com Hollande no sábado, sugeriu que a “qualidade” é mais importante do que a velocidade.

Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 0,24%, para 5.838,84 pontos, mas ficou distante da mínima do dia. As mineradoras ajudaram a pressionar o mercado inglês, com Eurasian Natural Resources e Evraz perdendo 4% e 3,8%, respectivamente. Já a Anglo American recuou 2,6% após ser rebaixada pelo Citigroup por causa de disputas trabalhistas na África do Sul.

O índice CAC 40, de Paris, encerrou a sessão aos 3.497,22 pontos, 0,95% abaixo do nível de sexta-feira. Entre os destaques de baixa, estiveram a ArcelorMittal (-2,3%), Crédit Agricole (-2,4%) e BNP Paribas (-1,5%).

Na Bolsa de Frankfurt, Commerzbank e Deutsche Bank caíram 3,7% e 0,9%, respectivamente. Com isso, o índice Dax perdeu 0,52%, para 7.413,16 pontos. Em Milão, o índice FTSE MIB teve baixa de 0,78%, para 15.867,07 pontos, e o mercado português apresentou perda de 1,34%, com o índice PSI 20 fechando a 5.355,39 pontos. As informações são da Dow Jones.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.