Bolsas na Europa caem antes da cúpula

Yolanda Fordelone

28 de junho de 2012 | 08h27

As bolsas europeias e o euro operam em queda, antes do início da cúpula de dois dias da União Europeia, pressionadas por um leilão de bônus da Itália e dados fracos da confiança na zona do euro e do mercado de trabalho da Alemanha.

Os líderes europeus discutirão na cúpula de dois dias, que está prevista para começar após as 9h (de Brasília), medidas para uma união bancária entre fronteiras e uma integração fiscal mais forte, bem como a possibilidade de um fundo de amortização da dívida. Mas, tendo em vista o histórico de cúpulas decepcionantes da UE, e com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, mantendo sua firme oposição à ideia de bônus da zona do euro garantidos conjuntamente, as expectativas para a reunião de dois dias que começa hoje são muitos baixas.

Às 8h (de Brasília), a Bolsa de Londres tinha queda de 0,96%, Frankfurt caía recuava 1,65% e Paris caía 1,10%. A Bolsa de Madri recuava 0,46%, Lisboa tinha queda de 0,95% e Milão recuava 0,52%. O euro estava em US$ 1,2431, de US$ 1,2467 no fim da quarta-feira em Nova York.

O Tesouro da Itália vendeu 5,423 bilhões de euros em bônus, perto da quantia máxima pretendida, mas pagou yield (retorno ao investidor) mais alto em relação ao oferecido no último leilão. “Os rendimentos atrativos deram suporte para a demanda pelos BTPS italianos hoje”, disse a Newedge. No entanto, segundo a empresa financeira, as incertezas sobre o resultado da reunião de cúpula desta semana da UE, juntamente com as ricas avaliações relativas para os dois títulos oferecidos na oferta versus a curva italiana, podem ter limitado a demanda de hoje de negociadores que ainda estão céticos sobre o futuro da área do euro.

Por volta das 7h25 (de Brasília), o yield dos bônus de 10 anos espanhol subia seis pontos-base, para 6,94%, enquanto o do bônus italiano tinha alta de quatro pontos-base, para 6,20%, de acordo com a Tradeweb.

Mas cedo, dados mostraram que o indicador de sentimento econômico na zona do euro, que é o índice amplo de confiança, caiu pelo terceiro mês seguido em junho, para 89,9, de 90,5 em maio. O resultado ficou levemente acima da previsão dos economistas ouvidos pela Dow Jones, de queda para 89,8. Já o índice de confiança do consumidor recuou para -19,8 em junho, de -19,3 em maio, e abaixo da previsão de -19,6.

Na Alemanha, a taxa de desemprego na Alemanha caiu para 6,6% em junho, o menor porcentual desde 1991, ante 6,7% em maio, embora o número de pedidos de auxílio-desemprego tenha subido em 7 mil em junho, contrariando expectativas de uma leitura estável.

“A austeridade fiscal sustentada e os problemas com abordagem para a crise estão claramente tendo impacto sobre a confiança econômica em toda a região”, disse Martin van Vliet, economista do ING Bank.

No front corporativo, as ações do Barclays recuavam 9,54%, após o executivo-chefe do banco, Bob Diamond, ficar sob pressão, à medidas que alguns jornais do Reino Unido pedirem que ele renuncie após a instituição fechar um acordo para encerrar uma investigação sobre uma alegada manipulação por traders do banco da taxas de empréstimos Libor.

As informações são da Dow Jones.

(Clarissa Mangueira, da Agência Estado)

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