coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Bolsas na Europa fecham em forte queda com dados negativos da região

Yolanda Fordelone

17 de abril de 2013 | 14h19

Stefânia Akel, da Agência Estado

LONDRES – As bolsas europeias fecharam com fortes quedas nesta quarta-feira, recuando pela quarta sessão consecutiva. O aumento do desemprego no Reino Unido e a forte queda nas vendas de automóveis na Europa pressionaram os índices, que ainda reagem à piora das previsões para a região anunciadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Além disso, comentários do presidente do Banco Central alemão (Bundesbank), Jens Weidmann, de que a recuperação da zona do euro ainda deve demorar, acentuaram a queda das bolsas no fim da manhã. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou o dia em queda de 1,54%, aos 283,73 pontos.

A Associação de Montadoras Europeias anunciou hoje que as vendas na região despencaram 10,2% em março na comparação com igual mês do ano passado. E esse recuo do mercado não é responsabilidade dos países periféricos. No mês, a Alemanha liderou a queda das vendas: o mercado alemão encolheu 17,1% na comparação anual. Outra grande economia da zona do euro, a França, amargou queda de 16,2%. Entre os demais países, Espanha registrou recuo de 13,9% e a Itália teve queda de 4,9%.

Além disso, foi divulgada hoje a ata da reunião do início do mês do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). O documento mostra que o comitê permaneceu dividido e três votos foram a favor do aumento do programa de injeção de liquidez na economia em 25 bilhões de libras. Entre os que apoiam o aumento da compra de ativos no mercado para tentar ajudar no crescimento da atividade, está o presidente do BC inglês, Mervyn King. Todos os nove votos do Comitê optaram por manter o juro britânico no piso histórico de 0,5% ao ano.

Também do Reino Unido, vieram dados que desagradaram os investidores. Em um duplo golpe para os planos do governo do país de manter as duras medidas de austeridade, os dados mostraram que o emprego diminuiu no país pela primeira vez em mais de um ano e que o crescimento dos ganhos médios foi o menor já registrado.

Antes disso, as bolsas já operavam em queda, ainda repercutindo a previsão do FMI de que a Europa não sairá da recessão em 2013. Pelas novas estimativas da instituição, a economia da zona do euro deve ter contração do Produto Interno Bruto de 0,3% neste ano. Antes, o FMI previa queda de 0,1%.

No fim da manhã, as quedas se acentuaram após o presidente do BC alemão afirmar que a crise de dívida da Europa vai levar cerca de uma década para ser superada, rejeitando a visão mostrada recentemente por alguns líderes europeus de que o pior já passou.

Nesse cenário, o índice DAX da Bolsa de Frankfurt caiu 2,34% e fechou a 7.503,03 pontos. Segundo traders, o fato de o índice ter perdido mais que os outros indica maiores quedas no futuro. As ações da Infineon recuaram 4,8% e as da HeidelbergCement tiveram queda de 3,9%.

Na Bolsa de Londres, o índice FTSE perdeu 0,96%, encerrando o dia a 6.244,21 pontos. Novamente, as mineradoras lideraram as perdas, pressionadas por preocupações com a economia global. A Tullow Oil teve queda de 8,4% e a Tesco após resultados que desagradaram os investidores.

Em Paris, o índice CAC-40 recuou 2,35% e fechou a 3.599,23 pontos. As ações dos bancos recuaram, com BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole caindo 4,6%, 3,8% e 3,1%, respectivamente. A EADS contrariou a tendência, subindo 4,9%.

Já a Bolsa de Lisboa caiu 1,77% e fechou a 5.700,96 pontos. A Bolsa de Madri teve queda de 1,83%, a 7.803,00 pontos. E o índice FTSE-Mib da Bolsa de Milão perdeu 0,96% e fechou a sessão a 15.383,76 pontos. As informações são da Dow Jones. 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: