Bolsas na Europa têm ganhos acima de 3%

Yolanda Fordelone

26 de setembro de 2011 | 08h32

As bolsas europeias operam bem sustentadas, com os papéis dos bancos franceses em franca recuperação, enquanto nos demais mercados sinalizações de corte no juro europeu e a queda para nível mais alto do que o esperado do índice de sentimento alemão ajudam investidores a recolher papéis baratos.

Ontem, a porta-voz do governo francês, Valerie Pecresse, disse que o governo não tem planos de recapitalizar os bancos locais, animando os investidores bastante preocupados com a saúde das instituições financeiras do país, expostas especialmente à Grécia. “Obviamente o governo está ao lado dos bancos”, disse a porta-voz ontem à noite. “Mas não há qualquer plano para recapitalizar os bancos”, acrescentou.

As ações dos três maiores bancos franceses perderam mais de 50% de seu valor desde o início de julho, com temores relacionados à solvência das instituições. Uma recapitalização acabaria diluindo o valor das ações para os atuais acionistas, observou o vice-diretor da corretora IG Markets France, Arnaud Pouteir.

Às 8h02 (de Brasília), as ações do BNP Paribas subia 7,4%, as do Credit Agricole avançavam 6,4% e as do Société Générale avançavam 7,8%. Papéis de bancos de outras praças também ganhavam.

O índice CAC-40, da Bolsa de Paris, operava em alta de 3,34%, enquanto Frankfurt avançava 3,47% e Londres ganhava 1,18%. A bolsa de Madri operava em alta de 3,56% e a Bolsa de Milão registrava ganho de 4,58%; Lisboa avançava 1,31%.

De modo geral, as bolsas reagem positivamente também aos comentários feitos pelo membro do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), Ewald Nowotny, de que uma redução nas taxas de juro não pode ser descartada. “O BCE nunca se compromete antecipadamente e um corte de juro não pode ser descartado. Tudo depende dos próximos desdobramentos”, disse Nowotny em entrevista ao Market News International.

O comentário segue-se as declarações do Banco Mundial e do FMI sobre a necessidade de cooperação global feitas no fim de semana, embora não se tenha apresentado qualquer nova resolução para resolver a crise financeira que atinge a periferia da zona do euro.

Já na Alemanha, o índice IFO de clima para os negócios caiu para 107,5 em agosto, de 108,7 em julho, mas o nível superou a previsão dos economistas ouvidos pela Dow Jones de 106,5.

“A economia alemã ainda é orientada por um setor corporativo relativamente sólido que, nos últimos anos, ganhou competitividade e se mostra mais resistente aos choques externos, em consequência de sua grande flexibilidade”, disse a Newedge. “As condições atuais para a economia alemã não são tão obscuras como alguns têm temido”, acrescentou.

O sentimento positivo dos mercados é visto com certo ceticismo. Alguns apontam para a enfática rejeição de outro membro do conselho do BCE, Yves Mersch, da ideia de um corte de juro de 0,50 ponto porcentual pelo BCE, em declarações feitas também hoje. As informações são da Dow Jones.

(Cynthia Decloedt, da Agência Estado)

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