Bovespa cai 4,8% com Fed e crise europeia

Bianca Pinto Lima

22 de setembro de 2011 | 17h20

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 4,83% nesta quinta-feira, 22, aos 53.280,28 pontos. O dólar comercial fechou em alta de 3,52%, a  R$ 1,91, maior cotação desde 17 de julho de 2009. Mais cedo, a moeda americana chegou a atingir a máxima de R$ 1,9530, mas recuou após o BC anunciar a 1ª da oferta de contratos de swap cambial tradicional (venda de dólar no mercado futuro) desde 26 de junho de 2009.

A fuga de ativos de risco, como as moedas dos emergentes, dominou os principais mercados financeiros neste pregão, com as bolsas de todo o mundo fechando em perdas acentuadas. “Os investidores estão inseguros com a decisão do Fed (de aumentar a fatia de Treasuries de longo prazo de sua carteira) e com a falta de equacionamento da questão europeia”, disse o economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto.

Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em queda, repercutindo o anúncio do Fed e os dados ruins de atividade das indústrias da China e do setor privado europeu. O Dow Jones caiu 3,51%, Nasdaq recuou 3,25% e S&P 500 teve declínio de 3,19%.

Além da piora do cenário externo, os mercados europeus despencaram com a indefinição sobre a Grécia e o temor crescente de calote. As declarações pessimistas do Banco Central dos Estados Unidos sobre a economia mundial também deixaram os investidores receosos. Londres fechou em queda de 4,67%, Frankfurt cedeu 4,96% e Paris recuou 5,25%.

Os contratos de proteção contra risco de crédito da Alemanha, Itália e Espanha atingiriam recorde de alta nesta quinta na esteira dos fracos indicadores econômicos europeus.

Divulgados pela manhã, os dados acentuaram as preocupações com as condições da economia global provocadas pelo anúncio ontem do Federal Reserve (BC dos EUA) de que as dificuldades ao crescimento e aos mercados financeiros devem persistir. O indicador de atividade da zona do euro, por exemplo, indicou contração em setembro, a primeira desde julho de 2009.

Na quarta-feira, o Fed deu mais um passo não convencional para tentar estimular a economia norte-americana que flerta com a recessão, afirmando que vai aumentar a fatia de Treasuries (títulos) de longo prazo de sua carteira em US$ 400 bilhões até junho de 2012, num esforço para tornar o crédito mais barato e impulsionar os gastos e os investimentos.

Para manter as taxas de hipotecas baixas, o BC norte-americano também disse que vai reinvestir os recursos dos ativos lastreados em hipotecas e das dívidas das agências que vencerem em ativos hipotecários. O resultado prático das medidas, contudo, tem efeito duvidoso.

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(Hugo Passarelli, do Economia & Negócios)

Texto alterado às 17h30

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