Bovespa fecha a 4ª semana seguida com perdas

Bianca Pinto Lima

25 de novembro de 2011 | 18h33

A piora do cenário externo e as incertezas relacionadas à economia da zona do euro fizeram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrar a quarta semana seguida no negativo.

O Ibovespa fechou a sexta-feira em baixa de 0,70%, aos 54.894 pontos. Na semana, o índice da bolsa paulista recuou 3,24%. Já em 2011, as perdas somam 20,79%.

As ações da Petrobrás e da Vale fecharam o pregão com quedas acentuadas e ajudaram a pressionar o Ibovespa. Petrobrás PN recuou 3,05% e ON caiu 2,65%, enquanto Vale PNA teve queda de 2,13% e ON perdeu 2,29%.

Os papéis da petrolífera e da mineradora sofrem com a perspectiva de uma redução no crescimento da China e a consequente queda na demanda por commodities, explica Luiz Roberto Monteiro, da corretora Renascença. O desempenho da Vale também foi afetado pelo programa de recompra de ações, que se encerrou hoje.

Mesmo com as perdas semanais consecutivas, Monteiro ainda não vê espaço para uma recuperação da Bovespa no curto prazo. “Apesar das perspectivas de crescimento para a economia brasileira e da possível queda do juro, o que esta imperando no mercado por enquanto é o cenário externo, principalmente a complicada situação da Europa”, ressalta.

Na semana que vem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir a taxa básica de juros (Selic). A maioria dos analistas aposta em um corte de 0,5 ponto porcentual, para 11% ao ano.

No mercado de câmbio, o dólar fechou o dia em baixa de 0,16%, cotado a R$ 1,8850. A moeda acumula ganho de 11,28% em novembro e de 13,28% em 2011.

Após o feriado de Ação de Graças na quinta-feira, as bolsas dos Estados Unidos voltaram a abrir hoje e passaram boa parte do pregão em alta, mas não conseguiram sustentar os ganhos até o fechamento. Dow Jones encerrou em leve baixa de 0,23%, Nasdaq recuou 0,75% e S&P 500 teve baixa de 0,27%.

O Dow Jones acumulou declínio de 4,78% em relação à sexta-feira passada, o pior desempenho do índice numa semana de feriado de Ação de Graças desde 1942, quando os mercados passaram a levar a data em consideração.

Durante a tarde, uma declaração do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, trouxe certo alívio aos mercados. Segundo ele, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, não é contra os eurobônus, apenas questiona qual seria o momento mais adequado para a criação desses títulos.

A afirmação ajudou a equilibrar momentaneamente o noticiário negativo e deu fôlego às bolsas da Europa, que inverteram o movimento e fecharam em alta. Londres subiu 0,72%, Madri teve valorização de 0,54%, Frankfurt ganhou 1,19% e Paris registrou alta de 1,23%.

Mais cedo, a Itália pagou yields (retornos ao investidor) altos em um leilão de dívida, refletindo a desconfiança dos investidores em relação à economia do país. Apesar disso, a reação negativa ao resultado da venda foi limitada, uma vez que os papéis atraíram demanda forte e o governo italiano conseguiu vender o volume pretendido.

Além disso, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou os ratings de longo prazo em moeda local e estrangeira da Bélgica para AA, de AA+. Segundo a agência, o rebaixamento reflete os riscos elevados da dívida soberana do país.

(Com Agência Estado)

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