Bovespa recua 1,28% e fecha na mínima do dia com pressão de Vale e siderúrgicas

Bianca Pinto Lima

29 de novembro de 2011 | 18h35

Texto atualizado às 19h30

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi pressionada nesta terça-feira pela queda das ações da mineradora Vale e do setor de siderurgia e fechou na contramão dos mercados internacionais. O Ibovespa recuou 1,28% e encerrou na mínima do dia.

Os papéis ON da mineradora recuaram 1,41%, enquanto os PNA tiveram queda de 1,65%. O desempenho negativo deve-se à redução de 11% no plano de investimento da empresa em 2012, anunciado ontem. O presidente Murilo Ferreira disse na segunda-feira que a Vale terá “mais disciplina e precisão na alocação de capital” para evitar expectativas que não se cumprem, por exemplo, por questões ambientais.

Após o fechamento do mercado, a Procuradoria Geral informou que o débito da Vale com a União pode chegar a R$ 25 bilhões em caso que tramita na Justiça há 8 anos. A companhia é a maior exportadora brasileira e o segundo maior grupo de mineração do mundo e tem grande peso no Ibovespa.

As siderúrgicas também fecharam em forte queda com o noticiário envolvendo a entrada da Ternium no capital da Usiminas e figuraram entre as principais baixas do índice. Usiminas PNA caiu 6,33% e ON 5,26%. Já Gerdau PN perdeu 4,07% e CSN ON recuou 4,06%.

“Houve mais um impacto setorial do que do ambiente macroeconômico (no Ibovespa)”, explicou o economista-sênior da CM Capital Markets, Maurício Nakahodo.

A Petrobrás, que também tem forte participação no índice da bolsa paulista, fechou com perdas menos expressivas. Petrobrás PN teve queda de 0,42%, enquanto a ON perdeu 0,89%.

No mercado de câmbio, o dólar fechou em queda pelo terceiro pregão consecutivo e voltou a ser cotado abaixo do patamar de R$ 1,85. A moeda recuou 0,54% nesta terça-feira e encerrou a R$ 1,8460. Apesar da desvalorização, a divisa norte-americana ainda acumula alta de 9% em novembro e 11% em 2011.

Em Nova York, os principais índices acionários fecharam com ganhos. Dow Jones subiu 0,29% e S&P 500 teve alta de 0,22%. Já Nasdaq, termômetro do setor de tecnologia, caiu 0,47%.

Mais cedo, os principais índices de ações da Europa encerraram com ganhos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 avançou 24,24 pontos, ou 0,46%, para 5.337,00 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 13,83 pontos, ou 0,46%, para 3.026,76 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em alta de 54,58 pontos, ou 0,95%, a 5.799,91 pontos.

Os mercados no exterior reagem ao forte aumento na confiança dos consumidores dos EUA e às expectativas de que autoridades europeias reunidas em Bruxelas cheguem a um acordo sobre medidas para conter a crise das dívidas da zona do euro.

Os ministros de Finanças do bloco monetário devem acertar nesta terça-feira os detalhes da reforma na Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês), o fundo de resgate da zona do euro.

Durante a reunião, os ministros confirmaram que seus governos autorizaram a liberação da próxima parcela de auxílio financeiro à Grécia, necessária para que o país consiga evitar um calote.

O economista da CM Capital Markets ressaltou, contudo, que decisões importantes sobre a crise da dívida na zona do euro devem ocorrer apenas na reunião de líderes, prevista para dezembro.

Nos EUA, o Conference Board divulgou que seu índice sobre a confiança do consumidor norte-americano saltou para 56,0 em novembro, de 40,9 em outubro. O resultado superou a expectativa dos analistas ouvidos pela Dow Jones, de 45,0.

(Com informações de Dow Jones, Reuters e Agência Estado)

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