Bovespa tem 3ª alta seguida puxada pela Petrobrás

Bianca Pinto Lima

19 de junho de 2012 | 17h52

Alessandra Taraborelli, da Agência Estado

São Paulo – A Petrobrás passou de “vilã” a “mocinha” e fez a Bovespa registrar a terceira alta seguida e voltar para os 57 mil pontos, nível que não atingia desde 14 de maio (57.539,61 pontos). O bom humor com as ações da petroleira é atribuído à expectativa de que a empresa promova reajuste nos combustíveis. Aliás, esta terça-feira foi o dia das expectativas – com o fim da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) amanhã e, com o G-20, hoje.

O Ibovespa encerrou com ganho de 1,78%, aos 57.195,49 pontos. Na máxima, o índice atingiu 57.567 pontos (+2,44%) e, na mínima, 56.210 pontos (+),03%). Com o ganho de hoje, a Bolsa passou a registrar valorização de 0,78% no ano. No mês, o ganho foi ampliado para 4,97%. O giro financeiro ficou em R$ 7,990 bilhões. Os dados são preliminares. Aliás, segundo operadores, grande parte deste volume é atribuído a volta dos estrangeiros.

Petrobrás ON subiu 4,82% e a PN, +3,97%. Mais cedo, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que há preocupação do governo com os efeitos do congelamento dos preços dos combustíveis para o caixa da Petrobrás. Na semana anterior, Lobão havia negado esta hipótese. Na sexta-feira, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, voltou a afirmar a necessidade de que a companhia promova um reajuste. Fontes ouvidas pela Agência Estado afirmaram que o plano de negócios da Petrobrás recomenda um reajuste de 15% na remuneração que a companhia recebe por seus combustíveis.

“Quem vendeu agora está correndo atrás do papel”, disse um operador, se referindo ao fato de que após o anuncio dos planos da estatal, muitos investidores resolveram se desfazer de suas ações, preocupados com o aumento do investimento em capital fixo (Capex).

As ações da Vale também fizeram bonito e encerraram com ganho de 2,41% a ON e 2,58% a PNA. Do lado negativo, o destaque do Ibovespa foram os papéis da BM&F que caíram 2,02%. Segundo profissionais, as ações reagem a possibilidade de a Bolsa ter uma concorrente.

“Hoje o mercado viveu de expectativa. Nada de concreto aconteceu”, disse um experiente profissional, ressaltando, ainda, a necessidade que o mercado está de ter boas notícias. “O mercado está carente, querendo algo de bom para poder ir às compras e puxar esta Bolsa para cima”, disse.

Externamente, os investidores esperam que o Fed anuncie, amanhã, ao fim da reunião, medidas de estímulo à economia norte-americana. A cada novo indicador negativo, aumentam as esperanças. Hoje, as atenções estão voltadas para o término do encontro de líderes do G-20. Os participantes querem convencer a Alemanha a aceitar a implementação de medidas para o favorecer o crescimento global. No México, a chanceler Angela Merkel defendeu ações de estímulo, mas ponderou que “crescimento não é apenas dinheiro”. “A tarefa agora é assegurar que os recursos que temos para crescimento sejam usados de maneira eficaz”.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou com ganho de 0,75%, o S&P 500 subiu 0,98% e o Nasdaq avançou 1,19%.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.