Dólar cai com perspectivas de ação do BC dos EUA

Estadão

25 de julho de 2012 | 10h49

Silvana Rocha, da Agência Estado

Moedas consideradas mais arriscadas diante do dólar, como o euro e divisas de emergentes exportadores de commodities, estão em alta hoje e influenciam a abertura do mercado doméstico de câmbio. O dólar recua ante o real nos mercados à vista e futuro, pressionado pela informação do Wall Street Journal ontem à tarde, de que os diretores do Federal Reserve estão próximos de adotar novas medidas para estimular a atividade econômica e as contratações nos Estados Unidos.

Na zona do euro, a moeda única do bloco também se fortalece com a informação de que um diretor do Banco Central Europeu (BCE) defende que o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês) tenha licença bancária, o que permitiria ao fundo acessar os recursos do mesmo BCE.

O dólar no mercado à vista abriu em baixa de 0,49%, a R$ 2,0380 no balcão, após acumular ganho de 1,59% em três dias e atingir ontem o maior patamar desde 28 de junho, de R$ 2,0480. Até 10h18, o dólar pronto no balcão oscilou entre R$ 2,040 (-0,39%) e R$ 2,0360 (-0,59%). Na BM&FBovespa, ainda não houve negócios com dólar spot.

No mercado futuro de câmbio, às 10h18, o contrato da moeda com vencimento em 1º de agosto de 2012 caía 0,49%, a R$ 2,040, mesmo preço registrado na abertura da sessão. A mínima até esse horário foi de R$ 2,0380 (-0,59%) e a máxima, de R$ 2,0430 (-0,34%).

No Brasil, a proximidade do fim de julho eleva expectativas de que o Banco Central comece a rolagem do próximo vencimento de cerca de US$ 4,5 bilhões em contratos de swap cambial em 1º de agosto. A colocação desses contratos pelo Banco Central equivale à venda de dólares no mercado futuro. Se eventual leilão for equivalente ao montante do vencimento previsto, sem oferta adicional, a operação de rolagem em si, teoricamente, não deve ter impacto sobre a formação de preço do dólar.

Vale lembrar que, no fim de junho, para a rolagem de swap cambial, o BC fez três leilões seguidos, nos quais vendeu US$ 9 bilhões desses contratos, ante um vencimento previsto de cerca US$ 3 bilhões. A oferta adicional de US$ 6 bilhões em swap cambial derrubou o dólar para R$ 2,010 no encerramento do mês passado.

A expectativa nas mesas de operações agora é de que a autoridade monetária poderá anunciar, a partir de hoje, a realização de pesquisa de demanda para rolagem do vencimento atual, de US$ 4,5 bilhões. Constatada a necessidade, o BC deve atender à demanda do mercado. “O BC deve fazer a troca dos contratos de swap que vencem agora por outros mais longos porque o governo não quer volatilidade no câmbio e também deseja manter o dólar acima de R$ 2,00”, disse o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora.

Não fosse a queda externa do dólar a determinar a formação de preço no câmbio local hoje, o real poderia se desvalorizar novamente. As saídas de recursos do País tendem a se acentuar com o agravamento da crise internacional. Em julho até o dia 20, o fluxo cambial líquido do País está negativo em US$ 1,947 bilhão – resultado de um fluxo financeiro negativo no período de US$ 354 milhões (decorrente de saídas de US$ 20,169 bilhões e ingressos de US$ 19,815 bilhões) e de um fluxo comercial líquido também desfavorável, de US$ 1,593 bilhão (com importações de US$ 10,975 bilhões e exportações de US$ 9,382 bilhões).

Nos Estados Unidos, desde a reunião de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), diretores do banco central dos EUA deixaram claro – em entrevistas, discursos e depoimentos no Congresso – que consideram inaceitável o estado atual da economia do país. Muitos deles estariam inclinados a agir, se não perceberem logo que a atividade econômica está retomando o ritmo.

Na próxima semana, haverá reunião do Fomc na terça e quarta-feira (dias 31/7 e 1º/8). Não se descarta no mercado uma eventual ação do Fed, que poderia se antecipar à divulgação, prevista para o dia 3 de agosto, dos números do mercado de trabalho do país, sobretudo os relativos à criação de vagas (payroll).

Com isso, os agentes financeiros estarão atentos hoje ao dado de vendas de imóveis residenciais em julho, que sai às 11 horas. Se o indicador ficar abaixo das previsões de vendas de 375 mil unidades no mês passado, deverá reforçar a especulação em torno de uma nova ação do Fed.

Atenções também estarão voltadas para o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Ele fará depoimento no Congresso norte-americano, a partir das 10h30, no qual deverá enfatizar que a crise da dívida da zona do euro e as dúvidas sobre a política fiscal em Washington representam ameaças para a recuperação econômica dos EUA. Segundo rascunho do seu testemunho obtido pelo Wall Street Journal, Geithner dirá ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara que a luta em curso na Europa, sobre como lidar com os problemas da dívida do bloco, está prejudicando o crescimento global e exacerbando uma desaceleração econômica.

Em Nova York, às 10h16, o euro subia a US$ 1,2149, de US$ 1,2061 no fim da tarde de ontem, quando chegou a cair ao longo dia a US$ 1,2042, nível mais baixo desde junho de 2010. O dólar americano também recuava 0,74% ante o dólar australiano; cedia 0,40% em relação ao dólar canadense; avançava 0,045% diante da rupia indiana; e declinava 0,51% ante o dólar neozelandês.

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