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Dólar cai mais de 1% e fecha a R$ 2,32

Estadão

05 de setembro de 2013 | 17h55

Fabrício de Castro

Em um dia marcado por forte giro no mercado futuro, o dólar à vista negociado no balcão fechou em baixa ante o real, na contramão do exterior. Profissionais do mercado citaram diferentes motivos para que a moeda americana, no Brasil, recuasse de forma consistente, a despeito de em outras praças sustentar ganhos ante outras divisas de países ligados a commodities. Entre os fatores citados estão a venda de moeda no mercado futuro, com especuladores embolsando lucros antes da divulgação do relatório de emprego dos EUA (payroll), amanhã, e a possível entrada de recursos estrangeiros no País. O dólar à vista terminou em baixa de 1,44% no balcão, cotado a R$ 2,3220.

Na abertura dos negócios, o dólar à vista chegou a ser cotado a R$ 2,3710 (+0,64%), na máxima do dia. Mas ainda na primeira hora de negócios a moeda passou a cair. Na mínima, verificada às 12h01 e também às 16h03, a moeda atingiu R$ 2,3170 (-1,66%). Da máxima para a mínima, a moeda oscilou -2,28% ou o equivalente a 5 centavos.

Mais cedo, a operação de venda de 10 mil swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), em um total de US$ 497,3 milhões, contribuiu para o recuo da moeda. Além desta “injeção diária” de liquidez, os investidores reagiam às declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, no sentido de manutenção da política de estímulos. Profissionais citaram ainda a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a ideia de que haverá elevação de mais 0,50 ponto porcentual da Selic em outubro, o que trouxe tranquilidade.

A pressão de baixa do dólar ante o real, no entanto, foi se intensificando, em meio a vários comentários nas mesas de operação. Enquanto a moeda americana, no exterior, sustentava ganhos, com a divulgação de dados macroeconômicos positivos nos Estados Unidos, por aqui operadores destacavam a forte movimentação no mercado futuro e a possível entrada de recursos no segmento à vista.

“Houve comentários de entrada de recursos no à vista. A taxa do cupom cambial até recuou”, afirmou profissional da mesa de câmbio de um grande banco. “O investidor estrangeiro pode ter entrado para participar do leilão de títulos do Tesouro na metade do dia”, acrescentou. De fato, no leilão de hoje, o Tesouro vendeu cerca de R$ 5,471 bilhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional – série F (NTN-F), um volume um pouco superior ao que vinha sendo visto em operações anteriores. A taxa do cupom cambial, por sua vez, caía para +0,30% à tarde, ante +0,42% de ontem, sendo que recuos indicam, em tese, entrada de recursos no País.

Ainda assim, o giro no mercado à vista era contido. Conforme a clearing de câmbio da BM&FBovespa, ele estava em US$ 1,267 bilhão no fim da tarde, sendo US$ 1,209 bilhão em D+2. No mercado futuro, por outro lado, o giro era consistente, com o dólar para outubro movimentando mais de US$ 20,5 bilhões.

“Temos que lembrar que também haverá o payroll amanhã”, acrescentou o profissional do banco. “Então, o pessoal pode ter resolvido realizar lucro. Se o payroll vier ruim, o mercado pode deixar de apostar em uma mudança em setembro”, comentou. Por esta lógica, como o dólar subiu muito recentemente, alguns investidores podem ter decidido vender moeda no futuro, embolsando os ganhos, à espera de um cenário mais claro nos EUA.

“O BC também alimentado diariamente, com os leilões de swap, os desmontes de posições no futuro”, acrescentou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora. “É preciso considerar isso, porque fica mais complicado manter posições compradas”, acrescentou.

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