Dólar cai para R$ 2,39 após BC injetar US$ 6 bilhões e com ajuda do exterior

Estadão

20 de agosto de 2013 | 17h41

Ana Luísa Westphalen

Após seis sessões de valorização do dólar, o mercado deu uma trégua e a divisa encerrou esta terça-feira em queda, abaixo do patamar de R$ 2,40. O movimento é atribuído a um conjunto de fatores, como a melhora no ambiente externo e às atuações do Banco Central, que hoje de manhã injetou até US$ 6 bilhões no mercado em dois leilões de swap cambial e duas operações de venda de dólares com recompra programada. Além disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ajudou a intensificar a trajetória de baixa durante a tarde, ao reiterar que a situação cambial está sob controle e que os instrumentos de atuação no câmbio são suficientes para as necessidades.

A moeda norte-americana encerrou a sessão cotada a R$ 2,3940 no mercado à vista de balcão, em baixa de 0,83% ante o real, após passar o dia todo em queda. Segundo operadores, a desvalorização da divisa nesta terça-feira também está relacionada a uma correção, após a sequência de seis altas, em que o dólar acumulou valorização de 6,25%.

“O Banco Central teve sua participação, mas hoje também houve ajuste do mercado internacional”, avalia o do gerente de câmbio da Correparti Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa. “O mercado aqui também tem suas correções, houve certo exagero nos últimos dias, tudo isso ajudou a manter o dólar abaixo de R$ 2,40.”

Na máxima do dia, o dólar alcançou R$ 2,4090 (-0,21%), enquanto, na mínima, a divisa bateu R$ 2,3840 (-1,24%), após o primeiro leilão de swap promovido pela autoridade monetária.

Durante a tarde, o dólar acelerou o movimento de baixa em relação ao real após entrevista exclusiva de Mantega ao Broadcast, em que o ministro reforçou que o Banco Central está atuando de forma eficiente para conter a valorização excessiva da moeda norte-americana e que o Brasil tem reservas elevadas. “Não faltam dólares no mercado”, afirmou. “A situação cambial está totalmente sob controle”, enfatizou o ministro.

Segundo operadores, Mantega ajudou a acalmar o mercado ao ressaltar que o ex-secretário de Política Econômica Luiz Gonzaga Belluzzo não expressa as ideias do governo. O economista, que é um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff, sugeriu durante a manhã que o governo centralize o câmbio caso não consiga conter a moeda. Como a ideia assustou o mercado, que imediatamente começou a pressionar o dólar para cima, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, precisou vir a público para rechaçar a proposta, dizendo que não faz sentido especular sobre centralização de câmbio.

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