Dólar tem forte alta e fecha no patamar de R$ 2,20 após mensagem do BC dos EUA

Bianca Pinto Lima

19 de junho de 2013 | 16h06

Texto atualizado às 18h40

A cotação do dólar disparou na tarde desta quarta-feira durante a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, sobre o futuro da política de estímulos à economia norte-americana. A moeda fechou em alta de 1,29%, a R$ 2,2050, no maior nível desde 27 de abril de 2009. Na máxima do dia, a divisa chegou a R$ 2,2090.

O discurso de Bernanke também repercutiu nas bolsas de valores ao redor do mundo. A Bovespa intensificou o movimento de queda durante a tarde, seguindo a piora dos mercados em Nova York e fechou em queda de 3,18%, aos 47.893 pontos – é o menor nível desde 30 de abril de 2009.  Nos Estados Unidos, Dow Jones encerrou em queda de 1,35%, S&P 500 recuou 1,39% e Nasdaq perdeu 1,12%.

Mais cedo, as bolsas da Europa também fecharam em baixa, depois de oscilarem perto da estabilidade durante boa parte da sessão. Os investidores permaneciam cautelosos à espera do Fed. Londres terminou o dia com queda de 0,40%, Frankfurt cedeu 0,39%, Paris caiu 0,55% e Madri perdeu 1%.

O BC dos EUA anunciou nesta tarde que manterá o seu programa de compras de títulos de US$ 85 bilhões por mês, mas sinalizou que pode acabar com os estímulos ainda neste ano. Segundo Bernanke, a ideia ainda não é uma decisão, mas foi discutida na reunião.

“O Comitê vê que os riscos à perspectiva econômica e ao mercado de trabalho diminuíram desde o outono”, informou o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) após sua reunião de dois dias.

O temor é que a reversão dessa política de estímulos nos EUA impacte a entrada de recursos em países emergentes como o Brasil, o que aumentaria o desequilíbrio das contas externas. Com uma quantidade reduzida de dólares no mercado, a cotação da moeda americana ficaria ainda mais pressionada. Isso encareceria os produtos importados e produziria mais inflação, comprometendo o crescimento econômico.

Em entrevista nesta quarta-feira, contudo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, rejeitou esta avaliação de que o Brasil ficará menos atrativo no novo contexto do mercado global. Ele lembrou que o governo zerou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de estrangeiros em renda fixa, o que aumenta o ganho para os investidores ante a alíquota anterior de 6%.

Na opinião do ministro, são necessárias 24 horas para uma interpretação da decisão desta tarde do Fed e uma avaliação sobre a velocidade da redução dos estímulos.

Ruptura. Pela primeira vez desde setembro de 2011 houve uma ruptura entre os membros do Fed, o que também levou nervosismo aos mercados.  Inesperadamente, o BC dos EUA viu duas das suas autoridades expressarem oposição formal ao caminho apoiado pela maioria. As visões dos dissidentes iluminam alguns dos conflitos que o Fed agora enfrenta e destacam a incerteza em torno do rumo da política monetária.

Não foi surpresa que a presidente do Fed de Kansas City, Esther George, novamente se opôs à decisão do Fomc de continuar com o atual nível de estímulos. Esse foi seu quarto voto dissidente e ela expressou novamente a preocupação com a possibilidade de a política extremamente acomodatícia do Fed criar novas bolhas e motivar a inflação.

Enquanto isso, o dirigente da distrital de Saint Louis, James Bullard, escolheu um caminho inesperado e foi na direção exatamente oposta. O que Esther George teme é o que Bullard gostaria de ver.

Ele afirmou que gostaria de ver o Fed sinalizar explicitamente que vai defender a meta de inflação a 2%, em um ambiente no qual os preços estão bem abaixo do ideal. Os banqueiros centrais concordam que preços acima ou abaixo da meta são igualmente inaceitáveis e merecem ser combatidos pela política monetária.

(Com informações da Agência Estado e de agências internacionais)

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