Dólar e juros abrem o dia em alta, mesmo após aumento do juro

Estadão

31 de maio de 2013 | 10h16

Fernando Travaglini e Silvana Rocha, da Agência Estado

O dólar abriu o dia em alta, cotado a R$ 2,1250 (+0,71%) no balcão – esta é a cotação mais alta registrada no pregão intradiário desde 3 de dezembro de 2012, quando a moeda subiu até a R$ 2,1350. Às 9h26, a moeda à vista testou uma mínima, a R$ 2,1220 (+0,57%).

A expectativa dos operadores de câmbio é de que a disputa em torno da definição da taxa Ptax de fim de maio deve manter a moeda norte-americana pressionada até o início da tarde. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse ontem que a elevação da taxa Selic em 0,50 pp, para 8% ao ano, na última quarta-feira deve reforçar os fundamentos do País e que o BC está observando a volatilidade do câmbio. Contudo, nas mesas de câmbio, os operadores acreditam que a autoridade monetária só tende a intervir após a definição da taxa Ptax, que será anunciada depois das 13 horas.

Tombini ressaltou ontem que temos um movimento internacional de valorização do dólar nas últimas semanas. “Vamos acompanha-lo para ver onde se estabiliza. O câmbio é flexível, vai refletir os fundamentos da economia”, declarou. O presidente do BC reafirmou ainda que “o Banco Central intervirá sempre que necessário para reduzir a volatilidade”.

A ausência da autoridade monetária no mercado de câmbio nesta última semana de maio já era esperada por operadores do mercado desde a semana passada, em razão de fatores técnicos de fim de mês e da valorização recente da moeda dos EUA no exterior.

Na quarta-feira à noite, o Copom elevou a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 8% ao ano. Antes dessa decisão, os investidores chegaram a se posicionar para uma alta menor da Selic (0,25 pp), após o fraco crescimento de 0,6% do Produto interno Bruto do País nos três primeiros meses deste ano, o que provocou queda dos juros futuros e o salto do dólar à vista para R$ 2,11 na sessão anterior.

Juros

Os juros futuros também abriram em forte alta, com os investidores refletindo a postura mais dura do Banco Central em relação à inflação. Mas ao confirmar em ação o discurso “hawkish” adotado há 15 dias, o BC consegui o movimento esperado para a curva de juros, qual seja, uma elevação das taxas mais curtas acima do que na ponta mais longa. Isso indica que os investidores acreditam em aperto monetário mais intenso agora, com recuo da inflação na frente. As apostas indicam que o ciclo de alta da Selic pode levar a taxa básica para 8,75% ou 9,00% no fim de 2014.

Às 9h45, o contrato de DI futuro para julho de 2013 subia a 7,72%, de 7,55% do ajuste de quarta-feira. O DI para janeiro de 2014 avançava para 8,38%, de 8,06% na quarta-feira, enquanto para janeiro de 2015 atingia 8,77%, de 8,52% antes do feriado. O DI para janeiro de 2017 chegou à máxima do dia, a 9,50%, de 9,38% na quarta-feira.

Como o aperto mais acentuado da Selic agora deve fazer com que as expectativas para a inflação dos próximos anos aponte para um patamar mais ameno daqui para frente, as taxas curtas sobem mais. Enquanto o janeiro 14 sobe 32 pontos, o janeiro 17 sobe 12 pontos. Essa é a resposta desejada pelo BC ao atuar de forma mais dura na noite de quarta-feira, optando pela aceleração do ritmo de alta da taxa básica, para 0,50 ponto porcentual, o que levou a Selic para 8,0% ao ano, em decisão unânime.

 

 

 

 

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