Dólar fecha em alta de 2,09%, cotado a R$ 2,392, maior nível desde março de 2009

Estadão

16 de agosto de 2013 | 16h54

Texto atualizado às 17h30

Após abrir em alta nesta sexta-feira, alinhado com o desempenho das outras moedas que têm forte relação com as commodities, o dólar passou a renovar sucessivamente a sua cotação máxima. A divisa ultrapassou com folga o patamar de R$ 2,35, registrado na abertura dos negócios, e chegou a encostar em R$ 2,40 – o maior valor alcançado hoje foi R$ 2,397 (+2,30%).

No fechamento, o dólar ficou em R$ 2,392, com valorização de 2,09%, o maior nível desde 3 de março de 2009, quando chegou a R$ 2,412. Com a forte alta desta sexta-feira, a moeda acumulou ganho de 5,28% na semana e já sobe quase 17% em 2013. Em agosto, sobe 5%.

 

A disparada da moeda ocorreu mesmo após a realização de dois leilões de venda da moeda no mercado futuro pelo Banco Central e o anúncio da rolagem de US$ 5 bilhões em contratos que vencem em setembro de 2013.

Isso porque enquanto o BC tentava puxar o dólar para um lado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, empurrava-o para outro. Os comentários de Mantega, no início da tarde, coincidiram com o segundo leilão de swap cambial feito pelo BC, que tentava conter a aceleração do dólar ante o real.

Ao dizer que “o câmbio atual é bem visto para a indústria” e que “o novo câmbio torna o setor produtivo brasileiro mais competitivo”, o ministro ofuscou a atuação do BC.

Leilões. E nem mesmo a rolagem dos contratos de swap conseguiu segurar a moeda. Na prática, isso era uma indicação clara de que a autoridade monetária fará, até o fim do mês, de forma mais sistemática, leilões de swap. Hoje foram dois: o primeiro para rolagem, das 10h30 às 10h40, e o segundo, fora da rolagem, das 12h30 às 12h40.

No primeiro leilão de swap – operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro -, o BC vendeu os 20 mil contratos oferecidos (US$ 989 milhões). Ainda assim, a moeda americana se mantinha em alta ante o real, a despeito de, no exterior, a moeda estar caindo em relação a outras divisas.

No início da tarde, a moeda americana já se mostrava mais acelerada, o que fez o BC convocar o segundo leilão de swap, desta vez, de 40 mil contratos. Neste caso, a autoridade monetária vendeu pouco mais da metade da oferta: 21.600 contatos, ou US$ 1,075 bilhão).

O economista e ex-ministro da Fazenda, Antonio Delfim Netto avaliou que se o governo tentar segurar a alta recente do dólar com as reservas cambiais correrá o risco de perdê-las, pois será um movimento inútil. Ele disse que a moeda norte-americana irá naturalmente procurar um teto e depois deve parar se subir. “Tem que deixar o dólar subir. Ele vai procurar o teto dele, o limite”, diz.

Mantega. O problema é que Mantega não ajudou. Profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, disseram que, embora a tendência para a moeda americana já fosse de alta, a fala do ministro, no momento do segundo leilão de swap, foi interpretada como uma espécie de “aprovação” para um dólar acima de R$ 2,30.

“Os comentários do ministro foram fora de hora”, disse profissional da mesa de câmbio de um banco. “Mantega desandou tudo”, acrescentou outro analista.

O mercado de títulos dos EUA também favorecia o avanço da moeda americana, de acordo com o profissional do banco. As taxas dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) subiam, tornando o investimento no mercado norte-americano mais atraente, em detrimento do Brasil, onde o cenário é de desconfiança.

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