Dólar cai 3,56%, a R$ 1,8420, mas sobe 6,47% na semana

Bianca Pinto Lima

23 de setembro de 2011 | 16h43

O dólar devolveu hoje todo o ganho da véspera ao fechar em queda de 3,56%, cotado a R$ 1,8420. Na quinta-feira, a moeda subiu 3,52% e foi a R$ 1,91, a maior cotação desde 17 de julho de 2009. Na semana, contudo, a divisa ainda acumula alta de 6,47%. Em setembro, o ganho é de 15,56%.

“Quando se tem movimentos muito fortes é natural que haja reversões. Esse comportamento no câmbio doméstico hoje também se repetiu em outros países emergentes. A moeda do México, por exemplo, subiu 3,60% e a da Coreia do Sul ganhou 1,10%”, explica André Perfeito, economista-chefe da corretora Gradual.

Segundo ele, a cotação da moeda norte-americana continuará subindo até se estabilizar, o que ocorrerá no médio prazo. “Mesmo que o Banco Central faça novos cortes no juro, o Brasil permanecerá com taxas muito elevadas. Além disso, o País teve recorde de arrecadação, então pode ter bons números de superávit primário. Com isso, cresce a possibilidade de alguma agência de classificação de risco elevar nosso grau de investimento, fazendo entrar mais dólares no País e estabilizando a cotação da moeda”, diz.

Nesta sexta, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mostrou tranquilidade em relação à alta do dólar ante o real e disse que o BC irá agir sempre que julgar necessário. “Temos que ver aonde esse novo padrão do cambio internacional vai se estabilizar nos próximos dias, semanas, e nós temos capacidade, no caso do Brasil, de fazer com que o mercado de câmbio continue funcionando de forma adequada, com liquidez”, disse após conferência promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington.

Em declaração paralela, o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, afirmou que a autoridade monetária poderá voltar ao mercado de câmbio para adequar a liquidez no sistema.

Na quinta-feira, o diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes, já havia dito à Agência Estado que a instituição atuará no mercado cambial futuro enquanto entender ser necessário. Disse ainda que, se for preciso, o BC também poderá agir com a moeda norte-americana no segmento à vista, ou seja, vendendo dólares no mercado. “O Banco Central vai continuar no mercado futuro enquanto entender que é necessário”, disse.

Texto atualizado às 17h22

(Com Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado)

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