BC atua duas vezes, mas dólar volta para R$ 2,148, maior valor em quatro anos

nayarasampaio

10 de junho de 2013 | 10h46

Texto atualizado às 16h53

O Banco Central tentou, mas só conseguiu diminuir um pouco o ritmo de alta do dólar. A moeda chegou a bater os R$ 2,16 e, por um breve período, operou no negativo nesta segunda-feira, 10 – isso ocorreu porque o BC realizou dois leilões de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Mas logo a divisa voltou a subir e acabou o dia com alta de 0,56%, a R$ 2,148. É o maior patamar desde 30 de abril de 2009. O dólar acumula alta de 5,04% no ano.

Na sexta-feira, o dólar fechou em alta de 0,66%, a R$ 2,1360, influenciado pelo rebaixamento da perspectiva de rating do Brasil, anunciado na noite de quinta-feira pela S&P. Com informações da Agência Estado.

Pela manhã, o dólar apontava forte alta ante o real, após o anúncio da aceleração da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) na primeira prévia de junho (0,43%, ante 0,03% da primeira prévia de maio) e da divulgação de indicadores fracos de importação e exportação na China. As preocupações com a inflação e com a economia chinesa – forte compradora de commodities – reforçaram a percepção de que a economia brasileira vai mal.

Ao mesmo tempo, as medidas do governo – entre elas, a zeragem do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos de estrangeiros em renda fixa – ainda não elevaram a entrada de dólares no País. Ao contrário, profissionais citaram, na semana passada, que investidores em renda fixa estavam aproveitando a mudança para retirar recursos para, no futuro, voltar sem precisar pagar impostos.

“Potencialmente para o Brasil, a gente esperava que a redução do IOF gerasse um impacto maior (de entrada de dólares), porque você tem, aliado à isenção de imposto, a alta da Selic”, comentou Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. “Mas parece que o investidor não está muito confiante, ainda mais que teve a redução da perspectiva de rating do Brasil.”

João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, acrescentou que “o BC mostrou que não quer um dólar acima de R$ 2,15, porque nós temos um problema sério, que é a inflação”.

(Com O Estado de S.Paulo e Agência Estado)

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