Dólar oscila em queda ante real com exterior mais calmo e Banco Central vigilante

Estadão

12 de junho de 2013 | 10h10

Silvana Rocha, da Agência Estado

SÃO PAULO – O O dólar no mercado à vista de balcão abriu com leve queda, a R$ 2,1250 (-0,56%). Até 9h54, a moeda norte-americana oscilou de uma mínima a R$ 2,1250 (-0,56%) a uma máxima, a R$ 2,1320 (-0,23%). O ajuste de baixa inicial acompanha a desvalorização da moeda dos EUA diante de divisas correlacionadas a commodities no exterior. No entanto, o dólar sobe levemente ante o euro e o iene, recuperando parte das perdas da véspera, no rastro da expectativa de retirada em breve dos estímulos monetários nos Estados Unidos.

No mercado futuro, no horário acima, o dólar para julho de 2013 recuava a R$ 2,1375 (-0,16%), após abrir a sessão a R$ 2,1330 (-0,37%). Esse vencimento da moeda norte-americana oscilou de R$ 2,1325 (-0,40%) a R$ 2,1410 (estável).

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Apesar do alívio interno na taxa de câmbio, o mercado pode voltar a pressionar o dólar ao longo da sessão, segundo operadores ouvidos pelo Broadcast. Esse movimento pode ser apoiado na recompra de moeda por investidores que venderam ontem, em meio a especulações de que o governo poderia anunciar alguma medida relacionada ao Imposto sobre Operações Financeiras incidente em operações cambiais.

Como essa expectativa não se confirmou ontem, embora a possibilidade continue sendo cogitada no mercado, é possível que os agentes financeiros voltem a tentar pressionar o dólar até o fim do dia, segundo esses profissionais. Contudo, a possibilidade de novas intervenções do BC e o ambiente externo mais calmo nesta quarta-feira estão impedindo, por enquanto, um ajuste positivo da moeda norte-americana, ponderou um operador de tesouraria de um banco.

Ontem, o dólar fechou em baixa de 0,51% ante o real no balcão, cotado a R$ 2,1370. A moeda americana, que chegou a ser negociada a R$ 2,1670 pela manhã, acabou recuando em relação ao real após duas intervenções do Banco Central (BC) e em meio à expectativa de que o governo fosse anunciar novas medidas cambiais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff, mas eles não definiram nenhuma nova medida cambial.

No exterior, hoje, o dólar exibe leves ganhos ante o euro e o iene, mas recua diante de moedas correlacionadas a commodities. O movimento ante o iene representa um ajuste, porque ontem o dólar teve a maior queda ante a moeda japonesa em um dia em mais de três anos. O dólar chegou a cair mais de 3% ante o iene, para a mínima intraday de 96,56. Por trás dessa forte correção está o temor dos investidores de que o Japão pode não ser capaz de cumprir suas promessas de reformas monetárias agressivas provocando uma onda de venda generalizada.

Apesar da aparente melhora de humor externo, persiste a preocupação dos investidores com o comprometimento do Federal Reserve e do Banco do Japão (BoJ) com estímulos à economia na forma de compras de bônus. Esses temores foram reforçados após o BoJ não introduzir ontem novas medidas para lidar com a volatilidade do mercado. O dólar ainda acumula uma alta forte, de cerca de 12% diante do iene desde o começo do ano, mas já recuou bastante em relação às suas máximas de 103 ienes do fim de maio, alcançadas por causa da expectativa de que o Federal Reserve começaria logo a reduzir seu programa de compras de bônus.

Os mercados ensaiam hoje uma recuperação sustentados pelo dado sobre a produção industrial da zona do euro, que subiu pelo terceiro mês consecutivo em abril. A agência de estatísticas da União Europeia informou que a produção industrial do bloco cresceu 0,4% ante março e caiu 0,6% em relação a abril de 2012. O resultado foi melhor do que as previsões de estabilidade no mês e queda de 1,2% no ano.

Ainda assim, com a crescente análise de que o Federal Reserve pode começar em breve a retirar os estímulos monetários, o movimento de realocação de ativos tende a continuar, trazendo volatilidade aos mercados. O movimento mais evidente tem sido a busca por ativos norte-americanos – uma tentativa de tirar proveito da retomada da maior economia do mundo. Nessa realocação de recursos, os mercados emergentes e também a Europa têm sido prejudicados.

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