Dólar cai e fecha na mínima de R$ 2,21 em dia de ação do BC

Estadão

25 de junho de 2013 | 10h23

Texto atualizado às 16h52

Silvana Rocha, da Agência Estado

SÃO PAULO – O clima externo aparentemente mais calmo nesta manhã no exterior e mais uma intervenção do Banco Central do Brasil conduziram o dólar à queda ante o real.  Imediatamente após a ação da autoridade monetária, a cotação da moeda americana entrou em queda. Embora moderada na maior parte do dia, a tendência de queda ganhou força no fim do pregão – o dólar fechou na mínima do dia, a R$ 2,21.

Das 10h30 às 10h40, o Banco Central fez um leilão de swap cambial (venda de moeda futura), ofertando cerca de US$ 3,3 bilhões no mercado futuro, representados por até 66.600 contratos de swap cambial, com vencimentos em 1/10/2013 e 1/11/2013. A operação de swap hoje tem por objetivo alongar o vencimento desses contratos no mesmo montante, que ocorrerá no próximo dia 1º de julho. Os operadores acreditam que o Banco Central poderá rolar pelo menos uma boa parte do valor a vencer, de cerca de US$ 3,3 bilhões.

A melhora dos mercados no exterior hoje é apoiada em informação do Banco do Povo da China (PBOC), de que forneceu liquidez ao mercado. O banco central disse que, de modo geral, não há falta de liquidez e pediu que os bancos controlem os riscos e prometeu estabilizar o mercado monetário do país.

A melhora dos mercados no exterior hoje é apoiada em informação do Banco do Povo da China (PBOC), de que forneceu liquidez ao mercado. O banco central disse que, de modo geral, não há falta de liquidez e pediu que os bancos controlem os riscos e prometeu estabilizar o mercado monetário do país.

Ainda assim, um sentimento de cautela sobre a Itália permeia os mercados, mas é incapaz de apagar o sinal positivo predominante na maioria das bolsas europeias. Uma reportagem do jornal britânico Daily Telegraph informa que a Itália provavelmente precisará de um resgate financeiro da União Europeia dentro dos próximos seis meses, segundo informações do banco italiano Mediobanca. A crise econômica está se aprofundando no país e o aperto de crédito está se espalhando para grandes empresas, afirmou o jornal. Por enquanto, apenas o índice FTSE MID, da Bolsa de Milão, opera com ligeira baixa.

BRICs devem agir

Mas a preocupação com os efeitos da valorização do dólar sobre as economias de países emergentes tem tudo para desencadear um ação coordenada de proteção às moedas desses países. Hoje, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, deverá falar sobre o assunto com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e procurar depois autoridades da Índia e da África do Sul. Ontem, Dilma conversou por cerca de 30 minutos com o presidente da China, Xi Jinping.

A articulação se relaciona às indicações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, de que a instituição poderá reduzir a compra de ativos no mercado nos próximos meses. Essa sinalização, na semana passada, acelerou um movimento global de realocação de portfólio pelos investidores, reduzindo a liquidez em mercados emergentes e desvalorizando suas moedas contra o dólar, movimento que afeta o real.

Para ter ideia, em junho o dólar acumula uma alta de 3,59% ante o real e, em 30 dias, +8,49%. A moeda norte-americana também contabiliza ganho ante o rublo russo, de 2,67% e 4,65%, respectivamente. Ante o rand da África do Sul, a moeda norte-americana cai 0,92% em junho, mas subiu 4,08% em 30 dias. Já em relação ao yuan chinês, o dólar subiu apenas +0,09% em junho e +0,20% em 30 dias, uma vez que o câmbio na China é controlado pelo governo.

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