Dólar recua no exterior e no Brasil após fala de Bernanke e Copom

Estadão

11 de julho de 2013 | 08h41

(Texto atualizado às 14h20)

Silvana Rocha, da Agência Estado

SÃO PAULO – O dólar no mercado doméstico desde a abertura opera em queda, sintonizado com a desvalorização da moeda norte-americana no exterior, mas já reduz as perdas acompanhando também o desempenho externo. Às 14h20, o dólar à vista era cotado a R$ 2,268, em baixa de 0,09%. A mínima da moeda foi de R$ 2,25.

No exterior, o dólar recuperou algum terreno durante a sessão europeia após ter registrado fortes perdas durante a noite devido a comentários do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, que indicaram que o banco central americano não está com pressa de iniciar a retirada de seus esforços de política monetária. Ontem, o dólar caiu depois da divulgação da ata da última reunião de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que mostrou que quase todos os membros apoiam a continuidade da política acomodatícia. Em um discurso mais tarde, Bernanke reiterou que a economia dos EUA ainda precisa da política monetária acomodatícia pelo futuro previsível.

Em Nova York, às 9h23, o euro estava a US$ 1,3047, após subir até US$ 1,3207, ante US$ 1,2969 no fim da tarde de ontem. O dólar recuava a 99,42 ienes, após ceder até 98,244 ienes, ante 99,65 ienes no fim da tarde de ontem. A moeda norte-americana também reduz as perdas iniciais diante de algumas moedas ligadas a commodities, como o dólar australiano (-0,30%), o dólar canadense (-0,07%) e a rupia indiana (-0,10%). A moeda dos EUA exibe forte baixa ante o peso chileno (-0,87%) e já passou a subir diante do peso mexicano (+0,06%) e do dólar neozelandês (+0,59%).

No Brasil, uma valorização da moeda norte-americana em relação ao real também não está descartada ao longo do dia, segundo operadores ouvidos pelo Broadcast. Um profissional de tesouraria de um banco citou as persistentes dúvidas sobre a condução da política de estímulos nos Estados Unidos e a cautela em relação ao crescimento de países emergentes, como a China e o Brasil, como principais fatores para a manutenção da volatilidade no câmbio interno.

A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de elevar em 0,50 ponto porcentual a taxa Selic, para 8,50% ao ano ontem à noite – a terceira consecutiva – contrasta com as decisões pela manutenção dos juros adotadas pelo Banco Central do Japão, onde o juro básico oscila de zero porcento a 0,1%, e do BC da Coreia do Sul, onde a taxa básica permaneceu em 2,5% ao ano.

Na China, o porta-voz do ministério do Comércio, Yao Jian, afirmou que o país enfrentará crescentes dificuldades de comércio durante o restante do ano. “O aumento dos custos na China e o protecionismo estão prejudicando os exportadores da China”, afirmou Yao Jian. “O ambiente do comércio será mais difícil no segundo semestre do que no primeiro”, disse o porta-voz. Contudo, Yao Jian se recusou a prever se a China poderá atingir a sua meta do ano cheio de crescimento de 8% em exportações e importações combinadas.

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